Cuba diz que rejeição da ONU a embargo é sinal a próximo presidente dos EUA

Joaquim Utset. Nações Unidas, 29 out (EFE).- O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Felipe Pérez Roque, disse que a rejeição quase unânime que a Assembléia Geral da ONU manifestou hoje ao embargo dos Estados Unidos à ilha envia um claro sinal ao próximo ocupante da Casa Branca.

EFE |

"Acho que (este) é um dia importante e lança uma clara mensagem ao próximo Governo dos Estados Unidos, no sentido de que a comunidade internacional espera que (os EUA) retifiquem esta política absurda e ilegal", declarou o chanceler cubano.

Em entrevista à Agência Efe, Pérez Roque destacou que o apoio que 185 dos 192 países-membros das Nações Unidas deram à resolução cubana contra o embargo deverá ter repercussões na política de Washington para a ilha.

O texto apresentado por Cuba na Assembléia Geral teve os votos contra de EUA, Israel e Palau, além das abstenções das Ilhas Marshall e da Micronésia, ao passo que El Salvador e Iraque não participaram da votação.

O responsável pela diplomacia cubana disse que o Governo cubano não pensa em impor condições prévias para se sentar à mesa e conversar com o vencedor das eleições presidenciais americanas, marcadas para a próxima terça-feira.

Pode-se falar que Cuba iniciaria um diálogo sem impor "nenhum tipo de condição, "mas esclarecendo que não discutiremos nosso ordenamento interno, nossa Constituição e nossas leis, que são absoluta prerrogativa dos cubanos", enfatizou o chanceler.

O senador pelo Arizona e candidato republicano à Casa Branca, John McCain, diz ser a favor da manutenção do atual regime de sanções a Cuba, enquanto seu adversário democrata, o senador por Illinois Barack Obama, está disposto a modificá-lo e não descarta conversar com as autoridades de Havana.

A ilha espera que o próximo Governo dos Estados Unidos "retifique a atual política, suspenda o bloqueio a Cuba, elimine as leis extraterritoriais, normalize as relações e aprove as propostas cubanas de cooperação na luta contra o tráfico de drogas e de pessoas", comentou o Pérez Roque.

"Nós estamos prontos para isso. Cuba deseja manter relações normais com os Estados Unidos", afirmou o ministro, que ressaltou que "Cuba não é uma ameaça, é um pequeno país".

O chefe da diplomacia cubana disse ainda que se Washington "pôde normalizar suas relações com países com os quais sustentou guerras terríveis, como o Vietnã, ou que foram rivais políticos e ideológicos, por que não poderia fazer o mesmo com um pequeno país vizinho que não constitui uma ameaça?".

Para o chanceler cubano, votações como a de hoje demonstram a ampla rejeição internacional ao embargo americano, imposto em 7 de fevereiro de 1962 e à qual Havana se refere como "bloqueio", uma posição que, disse, se estende pela "sociedade americana adentro".

"Estamos dispostos a nos sentar com o próximo presidente dos Estados Unidos com base no respeito e na igualdade, não na qualidade de subordinados", observou.

Nesse sentido, frisou que nem no diálogo reaberto com a União Européia (UE) nem em contatos futuros com Washington a libertação de presos políticos estará em pauta.

"É um tema que não faz parte de nenhuma negociação, que tem a ver com o ordenamento jurídico cubano", afirmou.

"Cuba não proclama ter uma sociedade perfeita, ninguém a tem, todos temos coisas a resolver, a União Européia também. A União Européia tem opiniões sobre o que acontece em Cuba, Cuba tem opiniões sobre o que acontece na UE", disse.

"Podemos discuti-las em um plano de respeito e de trocas. Cuba foi dando passos que considera apropriados, ao ritmo que considera apropriado", concluiu Pérez Roque. EFE jju/sc

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