Cuba deverá ajustar economia devido a crise dos alimentos

Por Marc Frank HAVANA (Reuters) - A promessa do presidente de Cuba, Raúl Castro, de melhorar a qualidade de vida dos moradores da ilha vem se chocando com a alta dos preços do petróleo e dos alimentos, contra o que o país não terá outro remédio a não ser apertar o cinto, afirmaram na terça-feira meios de comunicação oficiais cubanos.

Reuters |

'Os ajustes e restrições são inevitáveis na economia', afirmou a Rádio Rebelde, do governo, ao informar sobre a reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do Parlamento.

Raúl substituiu em fevereiro, na Presidência, seu irmão Fidel Castro, prometendo melhorar a qualidade de vida dos cubanos depois dos 15 anos de crise que se seguiram à derrocada da União Soviética.

O novo presidente eliminou algumas restrições para a compra de produtos como celulares e computadores, aumentou o preço dos produtos agrícolas, eliminou os tetos salariais e deu autonomia aos produtores de gêneros alimentícios.

No entanto, em um país bastante dependente das importações, os elevados preços internacionais começaram a minar seus esforços.

O ministro cubano da Economia, José Luis Rodríguez, disse na segunda-feira, diante da comissão parlamentar, que a economia do país comporta-se relativamente bem, tendo registrado um aumento da produção industrial de 6,2 por cento no primeiro semestre de 2008 quando comparado com o mesmo período do ano anterior.

O setor agrícola cresceu 7,5 por cento no mesmo período e o setor turístico, cerca de 14,5 por cento.

Ao mesmo tempo, os salários continuam subindo mais do que a produtividade em uma economia controlada em mais de 90 por cento pelo Estado.

Rodríguez avisou que não há como fugir dos elevados preços internacionais, já que Cuba importa 50 por cento de seu combustível e mais de 50 por cento de seus alimentos básicos.

'O impacto da substancial elevação dos preços dos alimentos e combustíveis no mercado internacional neste ano e as previsões para o restante de 2008 obrigarão a inevitáveis ajustes e a restrições na economia nacional', afirmou o Granma, jornal do Partido Comunista de Cuba, que controla a ilha.

Não ficou claro ainda que tipo de ajustes ou restrições está sendo estudado pelo governo cubano, apesar de se saber que afetarão os gastos com os serviços públicos e o controle de preços. Pode haver também ajustes na esfera empresarial.

A petrolífera canadense Pebercan, que produz petróleo cru em Cuba, disse no final de junho não ter recebido pagamentos de, no total, 37 milhões de dólares em abril e maio da estatal CubaPetróleos, e isso devido 'à difícil situação econômica' e aos elevados custos dos alimentos e da matéria-prima.

O vice-presidente da ilha, Carlos Lage, tinha dito em junho que alguns dos principais investimentos do país tinham diminuído e que seria necessário apertar ainda mais o cinto.

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