Cuba deve dialogar com cubano-americanos--governador Novo México

Por Jeff Franks HAVANA (Reuters) - O governador do Estado norte-americano do Novo México, Bill Richardson, se ofereceu nesta sexta-feira para mediar conversações entre o governo cubano e cubano-americanos, com o objetivo de pôr fim a cinco décadas de mútua animosidade e ajudar a restaurar as relações entre Cuba e os Estados Unidos.

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No encerramento de uma visita de cinco dias à ilha de regime comunista, Richardson disse não ter sentido uma atmosfera mais promissora para a melhoria das relações entre os dois países, mas afirmou que as coisas teriam de mudar gradualmente para superar anos de inimizade.

Ex-embaixador dos EUA na ONU, Richardson é um democrata de origem hispânica que tem uma trajetória como político diplomático e solucionador de problemas. Ele disse ter ido a Cuba em uma missão comercial pelo Novo México, e não a pedido da Casa Branca, e comentou que iria relatar suas descobertas ao presidente Barack Obama, na semana que vem.

Obama tem dito que quer "reformular" as relações do país com Cuba e para isso adotou medidas como o alívio ao embargo mantido pelos EUA há décadas contra a ilha e a renovação das conversas sobre imigração.

Richardson, falando em inglês e espanhol, disse ter proposto conversações informais entre cubano-americanos e cubanos como meio de melhorar as relações entre os dois grupos que são duros inimigos desde que Fidel Castro assumiu o poder na ilha, na revolução de 1959, e muitos cubanos fugiram para Miami.

"Se é para haver uma solução para a normalização das relações entre Cuba e os Estados Unidos, os cubano-americanos têm de ter um papel", disse Richardson.

Há muitos anos os cubano-americanos desempenham um papel muito importante na formulação da política dos EUA em relação a Cuba , especialmente ao ajudarem a eleger políticos que votam a favor da manutenção do embargo, imposto desde 1962 para minar o governo cubano.

Muitos deles nunca abandonaram o sonho de retornar a Cuba e lutam contra qualquer coisa que considerem possa ajudar o governo comunista.

Nos últimos dias, alguns cubano-americanos criticaram o músico colombiano Juanes, que vive em Miami, por planejar realizar um concerto em Havana, em setembro, na Praça da Revolução.

Richardson discorda dessas críticas e diz que o concerto seria "saudável" para as relações EUA-Cuba. Ele disse que "há muitos cubano-americanos que sentem que o diálogo com Cuba é necessário" e que ficaria "muito satisfeito por mediar tal discussão".

Richardson afirmou ter conversado informalmente com "amigos políticos" cubano-americanos em Miami, antes de viajar para Cuba, e que em Havana se encontrou com duas autoridades em posição importante para a política dos EUA -- o presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, e o vice-chanceler Dagoberto Rodríguez.

Ele disse que não se reuniu com o presidente Raúl Castro, ou seu irmão Fidel Castro, com quem negociou, em 1996, quando era congressista, a libertação de três presos políticos cubanos. Segundo ele, não se encontrou com os dois porque, como governador, não tem suficiente status político para isso.

Obama diz que o embargo, ao qual o governo cubano atribui muitos dos problemas do país, continuará em vigor enquanto Cuba não libertar presos políticos e melhorar a situação dos direitos humanos.

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