Cuba demitirá 500 mil em 6 meses e permitirá empregos privados

Medida modifica radicalmente o emprego na ilha comunista e é uma das principais mudanças de rumo do governo em décadas

iG São Paulo |

Cuba demitirá pelo menos 500 mil funcionários estatais nos próximos seis meses e simultaneamente permitirá que mais empregos sejam criados com a abertura de empreendimentos privados, no momento em que país passa por uma de suas piores crises econômicas. A medida modifica radicalmente o emprego na ilha comunista e é uma das principais mudanças de rumo do governo em décadas.

AP
Mulher escreve enquanto aguarda clientes para vender produtos dentro de sua casa em Havana, Cuba (27/08/2010)
As dispensas começarão imediatamente e seguirão até o primeiro trimestre do próximo ano, de acordo com um anúncio feito nesta segunda-feira pela Confederação de Trabalhadores Cubanos (CTC) - o único sindicato trabalhista tolerado pelo governo cubano. A confederação tem 3 milhões de membros. Segundo a CTC, a medida é uma tentativa de elevar a produtividade e tornar sua economia mais eficiente.

"Dentro do processo de modernização do modelo econômico e das previsões da economia para o período de 2011-2015, está prevista a redução de mais de 500 mil trabalhadores do setor estatal", disse a CTC. "O calendário para a execução do plano foi traçado pelos organismos e empresas até o primeiro trimestre de 2011", acrescentou a central, em texto publicado pela imprensa local.

Para suavizar o golpe, o sindicato diz que o governo autorizará o aumento simultâneo em oportunidades de emprego no setor não-estatal, permitindo que mais cubanos se tornem autônomos, formem cooperativas dirigidas por empreendedores privados em vez de burocratas do governo e aumentem o controle privado de terras estatais e de infraestrutura por meio de arrendamentos de longo prazo.

O plano anunciado pela mídia estatal confirma que o presidente cubano, Raúl Castro, mantém sua promessa de cortar cerca de 1 milhão de empregos estatais - um quinto da força de trabalho oficial - mas em um cronograma mais curto do que o inicialmente antecipado.

"Nosso Estado não pode nem deveria continuar mantendo companhias, entidades produtivas e serviços com folhas de pagamento inchadas e perdas que prejudicam nossa economia e resultam em contraprodução, criam maus hábitos e distorcem a conduta dos trabalhadores", disse a CTC nos jornais.

Raúl anunciou em abril um plano que prevê a demissão de mais de 1 milhão de funcionários públicos, mas disse que elas ocorreriam nos próximos cinco anos. A medida faria parte de suas reformas moderadas para melhorar a produtividade do trabalho e elevar a qualidade dos serviços. Ao mesmo tempo, ele disse que o governo "concordou em ampliar o exercício dos empreendimentos autônomos e seu uso como outra alternativa para o emprego dos trabalhadores em excesso".

O Estado é o maior empregador em Cuba, e a decisão de eliminar 20% de sua força de trabalho deixa muitos trabalhadores na incerteza em relação a seu futuro. O governo assegurou que ninguém ficará desamparado e ofereceu recolocar os funcionários excedentes em outros setores que historicamente são deficitários de mão de obra no país, como a agricultura, a construção, a educação e a polícia.

Segundo o texto da CTC, foram anunciadas várias medidas que abrangem desde eliminar o estudo como forma de emprego e a aposentadoria antecipada até a modificação dos salários dos trabalhadores excedentes.

Mesmo assim, para absorver os futuros desempregados, serão criadas outras alternativas de emprego, como "o arrendamento, o usufruto, as cooperativas e o trabalho por conta própria, para onde vão se deslocar centenas de milhares de trabalhadores nos próximos anos", segundo o documento.

Raúl, que substituiu seu irmão Fidel na presidência há mais de dois anos, vem se concentrando na economia como seu principal campo de batalha e vem empreendendo uma série de reformas, como dar mais autonomia aos agricultores para que possam aumentar a produção de alimentos no país.

*Com AP e Reuters

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