Cuba: Damas de Branco concluem inédita semana de marchas por presos políticos

As Damas de Branco, mulheres e mães de 75 presos políticos cubanos, concluíram neste domingo uma inédita semana de passeatas em Havana, desafiando as autoridades para pedir a libertação de seus parentes, que estão presos há 7 anos.

AFP |

"Espero que não precisemos protestar no oitavo ano seguinte", disse à imprensa Laura Pollán, líder das mulheres, durante a caminhada deste domingo, que seguiu até a sede do Parlamento Nacional.

Vestidas de branco e levando flores nas mãos - gladíolos -, as Damas de Branco, mulheres e familiares dos 75 dissidentes cubanos presos em 2003, são a única oposição nas ruas de Havana ao governo de Fidel e Raúl Castro.

Reyna Luisa Tamayo, mãe do preso Orlando Zapata, de 42 anos, morto no dia 23 de fevereiro depois de dois meses e meio de greve de fome por melhores condições carcerárias, acompanhou as mulheres em suas marchas. O protesto tem como pano de fundo outra greve de fome e sede realizada pelo jornalista e psicólogo Guillermo Fariñas.

O grupo iniciou suas atividades pouco depois das condenações de seus familiares a até 28 anos de prisão, acusados de servir a uma potência estrangeira (Estados Unidos), em uma detenção em massa que a dissidência batizou de "Primavera Negra".

As mulheres asseguram que não são um partido nem organização política, e que apenas pedem a libertação de seus familiares, cujas fotos muitas vezes são mostradas em suas camisetas brancas durante os protestos pacíficos.

O grupo não tem um número fixo de membros, mas sempre aparecem entre 20 e 70 mulheres, pois muitas moram nas províncias.

O governo as acusa de serem a "ponta de lança" da subversão financiada pelos Estados Unidos, e as qualifica de "mercenárias", mas elas respondem: "ninguém nos paga, não somos mercenárias", assegura a líder Laura Pollán, que explica que isso faz parte da "intensa campanha promovida pelo governo para nos desarticular".

Pollán, mulher de Héctor Maseda, condenado a 20 anos de prisão, é professora de Espanhol e Literatura, mas abandonou seu trabalho em 2004 para atender as necessidades de seu marido na prisão e pedir sua libertação.

Outras, de Havana ou demais localidades, são donas de casa, economistas, jornalistas, camponesas, que também não trabalham e se reúnem habitualmente na casa de Pollán e, todo domingo, depois de assistir à missa na Igreja de Santa Rita, realizam uma caminhada silenciosa pela Quinta Avenida.

Em 2005, o Parlamento Europeu lhes concedeu o Prêmio Sakharov de Direitos Humanos, o qual não puderam receber, pois as autoridades não permitiram que viajassem. Um ano depois, foram agraciadas com o prêmio Human Rights First.

Em determinadas datas, elas realizam outras caminhadas silenciosas, entregando flores, folhetos com a Declaração Universal dos Direitos Humanos ou objetos marcados com a palavra "liberdade" aos passantes.

Também já gritaram "liberdade" ao passar em frente a instituições como o Parlamento, ou recentemente, o Sindicato dos Jornalistas de Cuba.

Várias dessas passeatas foram repudiadas por simpatizantes do regime cubano, que vaiam, gritam consignas castristas ou as empurram. Por isso, um reduzido grupo de agentes de Segurança do Estado as acompanha, muitas vezes vestidos à paisana, para evitar violência.

Em 21 de abril de 2008, realizaram um plantão nas proximidades da Praça da Revolução, coração político de Cuba, que terminou quando policiais femininas obrigaram as mulheres a sair do local e entrar em um ônibus que as conduziu à casa de Pollán.

A cena repetiu-se na quarta-feira, em Párraga, sudoeste de Havana, quando outra passeata foi concluída com um violento confronto com manifestantes pró-governo. As policiais novamente as obrigaram a entrar em ônibus com o mesmo destino.

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