Cuba começa a libertar presos políticos

Segundo AFP, 3 de 17 presos foram libertados; de acordo com chanceler espanhol, eles começam a chegar à Espanha na segunda-feira

iG São Paulo |

O governo cubano começou a libertar neste sábado um pequeno grupo de prisioneiros políticos com problemas de saúde como parte de um acordo maior de soltar 52 dissidentes , informaram à AFP parentes de três dos presos. Os três foram libertados e enviados a locais não revelados.

A Igreja Católica cubana divulgou neste sábado mais 12 nomes e elevou a 17 o total de presos políticos que devem ser soltos nos próximos dias e viajar para a Espanha. O Arcebispado de Havana divulgou a notícia em dois comunicados separados: o primeiro dizendo que mais cinco presos seriam soltos "em breve" e um segundo acrescentando a libertação de mais sete.

Os 17 fazem parte de um grupo de 52 líderes da oposição , jornalistas e ativistas que serão eventualmente libertados, mas se esperava que o processo começasse com a soltura de apenas cinco detentos .

A incomum libertação de prisioneiros, que se tornará a maior desta década na ilha comunista, foi anunciada no início da semana depois de negociações sem precedentes entre o presidente Raúl Castro e o cardeal Jaime Ortega. Todos os 52 fazem parte de um grupo de 75 dissidentes presos em 2003 e sentenciados a penas de 6 a 28 anos na chamada "Primavera Negra".

O dissidente José Luis García Paneque telefonou para sua família para lhes dizer que estava sendo transferido da prisão na Província de Las Tunas para um local não especificado na capital do país, Havana, de acordo com seu primo Raul Smith.

Enquanto isso, as mulheres dos dissidentes Pablo Pacheco e Luis Milan receberam telefonemas de outros presos avisando que seus maridos haviam sido soltos.

Na quinta-feira, a igreja anunciou os nomes de cinco presos dizendo que seriam libertados imediatamente . Entre os 12 nomes anunciados neste sábado estão os dissidentes Ricardo González, Normando Hernández, Omar Ruiz, Julio César Gálvez e Mikhail Bárzaga. Segundo Barbara Rojo, mulher de Omar Ruiz, "autoridades cubanas me telefonaram para me aprontar porque viriam nos buscar", disse à Associated Press.

No Marrocos, o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, anunciou neste sábado que os presos políticos cubanos viajarão para a Espanha a partir de segunda-feira juntamente com seus parentes. Moratinos esteve em Cuba no início da semana para ajudar a mediar o acordo entre a Igreja e o governo cubano .

"Em um primeiro momento, se indicou que se procederia com a libertação de cinco, mas hoje tivemos a notícia, com os contatos mantidos com as autoridades cubanas e a Igreja Católica cubana, de que seis mais serão libertados", disse Moratinos, em visita ao Marrocos.

Segundo o ministro, a Espanha não tem a obrigação de acolher ninguém e a decisão foi dos próprios presos. "Daremos a eles toda a ajuda necessária e, então, eles decidirão o que querem fazer", explicou.

*Com AFP, AP e EFE

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