Cuba apresenta decisão da OEA como grande vitória

Antonio Martínez. Havana, 4 jun (EFE).- O Governo de Cuba apresentou como uma grande vitória a decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA) de abrir a porta a seu retorno, e afirma que foi adotada de forma incondicional, embora os Estados Unidos, outros países e a dissidência cubana tenham feito uma leitura diferente da resolução aprovada.

EFE |

"Fidel e o povo cubano foram absolvidos pela história", diz hoje na em sua capa o diário "Granma", porta-voz do governante Partido Comunista. O jornal lembra ainda que o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, disse que a OEA fez uma "sábia retificação".

O presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, reiterou hoje à imprensa que o decidido ontem na 39ª Assembleia Geral da OEA, realizada em San Pedro Sula, em Honduras, "não modifica em nada o que Cuba pensava antes e agora" sobre não retornar ao sistema interamericano, e qualificou o fim da suspensão de "grande vitória histórica".

Um comunicado divulgado pela TV estatal assegurou que "a OEA derrogou incondicionalmente a resolução pela qual se expulsou Cuba da organização".

No entanto, tanto a dissidência interna cubana como dirigentes dos EUA e outros países não estão de acordo sobre a decisão ter sido um aceno da OEA "incondicional" a Cuba.

"Cuba pode retornar à OEA no futuro se a OEA decidir que sua participação cumpre os propósitos e princípios da organização, incluindo a democracia e os direitos humanos", disse a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, segundo um comunicado divulgado em Washington.

EUA e outros países insistiram que a "resposta correta" era eliminar a suspensão de Cuba aprovada, em 1962, mas condicionar seu retorno a que cumpra as regras da organização, como a Carta Democrática, lembrou Hillary.

"Me agrada que todos tenham concordado que Cuba não pode simplesmente tomar sua cadeira e que devemos submeter a participação de Cuba a uma determinação mais adiante, se é que algum dia procure reingressar", afirmou a secretária de Estado.

Da mesma forma opina o economista dissidente cubano Óscar Espinosa Chepe, para quem "o mais importante é a chamada ao Governo cubano a apresentar sua solicitação de entrada com base nos documentos que estão vigentes, a Carta Democrática Interamericana e os demais regulamentos de direitos humanos".

Segundo ele, o Governo Raúl Castro "não tem interesse" em retornar à OEA porque "não quer cumprir com essa série de regulamentos, mas vai ficar evidente que não é o mundo que fechou as portas a ele, mas Cuba que não quer se integrar a comunidade de nações".

A OEA mostra "pretextos" ao Governo e essa é "a parte positiva de tudo isto", disse à Agência Efe Espinosa, um dos 75 opositores aprisionados em 2003, atualmente libertado por motivos de saúde.

Uma leitura intermediária foi feita pelo secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza. "Não é que estejam sendo postas condições a Cuba, mas sim se dizendo: 'tem as mesmas obrigações e os mesmos deveres a cumprir que qualquer outro país'", explicou.

A resolução aprovada em San Pedro Sula após complicadas negociações diz: "A participação de Cuba na OEA será o resultado de um processo de diálogo iniciado pelo Governo de Cuba e em conformidade com as práticas, os propósitos e princípios da organização".

Para Miriam Leiva, co-fundadora das Damas de Branco, grupo que reúne familiares dos 75 aprisionados em 2003, a decisão da OEA evidencia que o Governo cubano "terá que se adequar aos novos tempos".

"Serão demonstradas as verdadeiras intenções do Governo cubano.

Até hoje, Cuba sempre culpou a expulsão da OEA e o embargo americano, mas agora tem que demonstrar se realmente está disposta a adotar parâmetros do mundo dos direitos humanos", completou.

Nas ruas de Havana, enquanto isso, a maioria dos cubanos se interessa pouco pelo assunto.

"Para mim, tanto faz o que acontece com a OEA. Todo esse assunto me parece absurdo no fundo, porque o Governo cubano disse mil vezes que não quer retornar. Então, para que o debate?", disse à Efe Gerardo, um enfermeiro de 43 anos.

Para Tony, motorista de táxi, não faz sentido que Cuba não queira retornar à OEA, já que a maioria dos países que a integram "têm Governos de esquerda ou, como México e Colômbia (de direita), têm excelentes relações" com seu país.

"As baboseiras dos diplomatas não vão regular a crise alimentícia em Cuba", acrescentou.

Carmen Rosa, de 36 anos, disse, por sua vez, que a decisão do organismo lhe agrada, apesar da postura dos demais cubanos. "A postura aqui está mais do que clara: não interessa. A questão da OEA é política, emendar um erro histórico, mas não mais do que isso", ressaltou. EFE am/rr

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