Cuba anuncia prazo para fim de igualdade salarial

O governo cubano anunciou, nesta quarta-feira, o prazo para a eliminação do igualitarismo salarial e a substituição do atual sistema por uma gestão na qual o pagamento é feito com base no rendimento e produtividade. A medida, que elimina um sistema em vigor desde a revolução de 1959, foi anunciada em um artigo publicado na edição desta quarta-feira do jornal oficial Granma e assinado pelo vice-ministro do Trabalho, Carlos Mateu Pereira.

BBC Brasil |

As empresas terão até agosto para se ajustar ao sistema, que prevê o pagamento do salário dos trabalhadores a partir da produtividade e qualidade do serviço prestado, sem teto salarial.

Segundo Pereira, isso evitaria o "paternalismo" do sistema atual.

"Sempre existiu uma tendência de que todos recebam o mesmo pagamento e esse igualitarismo não é conveniente", diz o artigo. "O novo sistema deve ser visto como uma ferramenta para ajudar a obter melhores resultados produtivos e de serviços".

Produtividade
A medida faz parte de um processo de reformas econômicas adotadas pelo presidente Raúl Castro desde que tomou o poder, em fevereiro.

O presidente cubano já havia afirmado que era necessário aumentar a produtividade no país para que os salários pudessem subir.

Segundo Mateu Pereira, o novo sistema de pagamento irá cumprir "o princípio socialista de distribuição, onde cada um recebe o correspondente à sua contribuição, ou seja, é pago pela quantidade e pela qualidade".

Um sistema similar já é usado nas Forças Armadas do país , que estiveram sob o comando de Raúl Castro desde 1959.

O governo cubano é o principal empregador do país. Algumas estimativas indicam que 90% da economia de Cuba estaria nas mãos do governo.

As reformas anunciadas por Raúl Castro têm levando muitos analistas a falarem de uma possível "abertura" do país. Ele foi eleito presidente depois da renúncia de seu irmão mais velho, Fidel Castro, que sofre problemas de saúde.

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