O governo de Cuba afirmou nesta quinta-feira que é uma grosseira manipulação e um descaramento dos Estados Unidos apresentarem autorizações de vendas agrícolas por 250 milhões de dólares como ajuda humanitária após devastação do país por dois furacões.

"Apresentar as autorizações que dizem que outorgaram nestes dias, como uma prova de sua vontade de cooperar é realmente uma grosseira manipulação (...). É uma vergonha, uma jogada publicitária", afirmou o chanceler Felipe Pérez Roque em uma entrevista coletiva.

Pérez Roque refutou um informe no qual o Departamento de Estado anuncia as autorizações de vendas agrícolas - inclusive alimentos e madeira -, a distribuição de 100.000 dólares através de ONGs, e cinco milhões de dólares como ajuda humanitária a Cuba após a destruição pelos furacões Gustav e Ike.

O chanceler assinalou que as vendas de alimentos são uma "mínima abertura" que se fez em 2001 ao embargo que mantém contra a ilha há meio século, e que, ademais, são compras que devem ser feitas com pagamentos antecipados, sem acesso a créditos.

Acrescentou que "o principal obstáculo" para a recuperação de Cuba depois dos furacões é o "bloqueio genocida" que - precisou - em quase meio século lhe causam prejuízos da ordem de 93 milhões, cerca de 3,8 milhões no último ano.

"Nós não temos a menor idéia de onde foi parar este dinheiro que, além disso, não lhe pedimos", disse o chanceler sobre os 100.000 dólares que, segundo Washington, foram distribuídos através de ONGs.

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