Cuba acusa EUA de mentir sobre ajuda pós-furacão

Por Jeff Franks HAVANA (Reuters) - Cuba acusou na quinta-feira o governo dos Estados Unidos de mentir sobre a ajuda à ilha depois dos furacões Ike e Gustav, e disse que o embargo econômico norte-americano está prejudicando a reconstrução.

Reuters |

O chanceler Felipe Pérez Roque disse em entrevista coletiva que o governo Bush está realizando uma 'operação de propaganda' para simular uma ajuda à ilha depois das tempestades que provocaram 5 bilhões de dólares em prejuízos.

Os EUA dizem ter dado 100 mil dólares de ajuda direta a Cuba e acelerado a aprovação de vendas agrícolas de 250 milhões de dólares de empresas norte-americanas para a ilha. Outros 5 milhões de dólares teriam sido rejeitados.

Pérez Roque disse que a autorização para as vendas agrícolas é rotineira e não representa ajuda, e sim comércio.

'Tentar representar este processo e as licenças que eles dizem ter concedido nos últimos dias como prova de sua disposição em cooperar é realmente uma manipulação grosseira', disse o ministro.

Quanto aos 100 mil dólares, 'não temos a menor idéia de onde eles distribuíram esse dinheiro, e nos não o solicitamos.'

Ele disse ainda que os EUA exageram quando disseram recentemente que grupos privados norte-americanos teriam dado 61 milhões de dólares em ajuda humanitária a Cuba no ano passado.

A cifra correta, de acordo com o ministro, é de 6,1 milhões de dólares, e em 7,5 anos de governo Bush o número de ONGs dos EUA operando na ilha caiu de 160 para 21.

O Departamento de Estado dos EUA disse na semana passada que a ajuda de 2007 incluía 20,6 milhões de dólares em doações humanitárias não-agrícolas, 40,5 milhões em doações médicas, como parte de uma ajuda privada de 240,5 milhões de dólares naquele ano.

Cuba pediu que Washington suspenda ao menos temporariamente o embargo para que o país possa comprar material de construção e outros itens necessários para a reconstrução dos dois furacões que atingiram o país num intervalo de dez dias, a partir de 30 de agosto.

Pérez Roque disse que o embargo é 'o principal obstáculo ao trabalho de reconstrução dos danos do Gustav e Ike'. 'O bloqueio é uma violação flagrante dos direitos do povo cubano', declarou.

Segundo ele, as restrições comerciais provocaram prejuízos de 3,7 bilhões de dólares para Cuba em 2007 e de 224 bilhões desde sua criação.

Havana vai apresentar em 29 de outubro uma resolução à Assembléia Geral da ONU denunciando o embargo, disse Pérez Roque. Em 2007, Cuba já havia conseguido a aprovação de uma resolução similar -- sem qualquer efeito prático -- por 184-4 votos.

Pérez Roque também confirmou relatos prévios de que Cuba aceitou condicionalmente o restabelecimento de um diálogo político formal com a União Européia, já que em junho o bloco suspendeu sanções diplomáticas que estavam em vigor desde 2003, por causa da prisão de 75 dissidentes.

(Reportagem adicional de Nelson Acosta e Marc Frank em Havana)

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