Cuba aceita diálogo político oferecido pela UE

Havana, 16 set (EFE) - O Governo de Cuba aceitou o diálogo político ofertado pela União Européia (UE) em junho, segundo informou por meio de uma nota verbal enviada em 3 de setembro à Embaixada da França em Havana, disseram hoje à Agência Efe fontes do bloco.

EFE |

"Eles aceitaram o diálogo político, embora falte discutir onde, como e quando", disse uma fonte européia que chamou a decisão cubana de "positiva".

A fonte lembrou que a oferta de junho, feita junto com a suspensão das sanções diplomáticas impostas a Cuba pela UE em 2003, "era de diálogo político com uma série de acompanhantes, não discriminatório", para "falar de todos os temas de interesse comum".

"Em termos práticos, significa que UE e Cuba concordam em se sentar para falar destas questões", acrescentou.

A fonte disse que, embora as duas partes devam definir agora o marco e os temas do diálogo, a aceitação leva implícita a "vontade de falar de direitos humanos".

A "nota verbal" do Governo cubano reprovava em "duro tom" o que a oposição vê como uma posição de ingerência da UE com relação ao regime político da ilha, embora em círculos europeus tenham visto como "bastante discreta" a maneira de comunicar a aceitação da proposta.

Em junho, a UE concordou em suspender as sanções diplomáticas contra o regime cubano e em abrir um diálogo incondicional, com o objetivo de melhorar a situação política e dos direitos humanos na ilha.

As sanções estavam suspensas desde 2005, mas Cuba sempre condicionou o diálogo com a UE à eliminação dessas medidas, um passo "imprescindível", segundo seu chanceler, Felipe Pérez Roque.

O comissário de Desenvolvimento da UE, Louis Michel, anunciou hoje em Bruxelas que visitará Cuba de 22 a 25 de outubro para negociar o possível reatamento dos programas de cooperação do Executivo do bloco com o Governo da ilha.

Michel afirmou nesta terça-feira em entrevista coletiva que sua viagem servirá "provavelmente para assinar" um novo acordo de cooperação ou, pelo menos, para avançar em sua negociação.

A fonte européia em Havana disse à Agência Efe que o diálogo político e a ajuda ao desenvolvimento oferecida pela UE a Cuba "são dois processos paralelos a princípio", embora estejam "ligeiramente ligados", pois "o avanço de um facilita o do outro".

Em março, Louis Michel visitou Havana e defendeu a retirada das sanções diplomáticas, já que as relações estavam paradas, situação que não ajudava a estabelecer um diálogo político. EFE jlp/rb/db

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