Cuba abre agricultura ao capital externo

Martha Lomas, ministra do Investimento Estrangeiro de Cuba, anunciou ontem que o governo cubano está buscando novos parceiros externos dispostos a investir na produção agrícola e pecuária da ilha. De acordo com ela, o objetivo do governo é diminuir a importação de alimentos.

Agência Estado |

"Atualmente, estamos estudando algumas propostas de negócios no setor agrícola", disse Martha. "Já temos alguns investimentos acertados na produção de arroz, mas poderíamos ter também capital externo sendo investido em outras esferas, como a pecuária."

A ministra reconheceu que a produção de alimentos é um dos principais desafios do presidente cubano, Raúl Castro, que há duas semanas vem introduzindo uma série de reformas para descentralizar o setor e permitir aos camponeses uma maior autonomia em suas decisões.

Na semana passada, o governo cubano anunciou o início de um programa de distribuição de terras cultiváveis ociosas, hoje 51% do total, e aumentou o valor pago aos produtores por algumas mercadorias. Em março, as proibições para compra de insumos agrícolas também foram parcialmente levantadas pelo governo.

Cuba queima boa parte de seus recursos importando centenas de milhares de toneladas de arroz, derivados de soja, farinha, trigo e outros grãos. Apenas em 2007, Havana gastou cerca de US$ 1,6 bilhão na compra de alimentos. Desde 2000, após a flexibilização do embargo econômico americano, um terço dessa carga vem dos EUA.

Seletividade

No ano passado, o governo cubano divulgou que os números ligados aos investimentos externos no país bateram recorde em 2006. Ao todo, foram US$ 981 milhões em investimentos estrangeiros na ilha, 22% a mais do que em 2005.

Falando ontem durante um evento internacional contra os tratados de livre comércio, a ministra informou que existem hoje 230 empresas mistas operando em Cuba. São 162 a menos que em 2000, quando a ilha se abriu ao capital externo.

"Isso não significa que nós fechamos nossa economia. A diminuição no número de empresas mistas quer dizer apenas que estamos sendo mais seletivos e procurando investidores sérios, que aportem capital, mercados e novas tecnologias", disse Martha.

Entre os principais investidores estrangeiros em Cuba estão a empresa canadense Sherritt International, que atua na extração de níquel, a cadeia de hotéis espanhola Sol Meliá, a suíça Nestlé, fabricante de alimentos, a brasileira Souza Cruz, produtora de cigarros, e o grupo belga Interbrew, gigante do mercado de cerveja.

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