Cuba: 167 presos políticos, o número mais baixo em 50 anos

Mas, segundo relatório, houve aumento do número das prisões de curta duração; no primeiro semestre deste ano, ocorreram 800

iG São Paulo |

AP
Manifestantes segura cartaz com foto de Fariñas
O número de presos políticos cubanos passou de 201 a 167 nos últimos seis meses, a cifra mais baixa desde a revolução de 1959, mas aumentaram a prisões de curta duração, afirmou nesta segunda-feira uma comissão de direitos humanos.

A queda do número de presos políticos com relação a 2009 obedece na maioria dos casos o cumprimento de penas, explicou o dissidente Elizardo Sánchez, porta-voz da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), autora do relatório semestral. O documento destaca que no mês de junho foram postos em liberdade seis presos políticos por esse motivo.

"Trata-se da cifra mais baixa de presos políticos depois da revolução de 1959. Mas isso não quer dizer que a situação dos direitos humanos tenha melhorado, pois, ao mesmo tempo, há uma alta das prisões arbitrárias e de curta duração, por algumas horas ou dias", declarou Sánchez.

O relatório calcula em mais de 800 as prisões "arbitrárias" realizadas no primeiro semestre deste ano. "Há uma mudança da repressão", disse Sánchez. Dos 167 presos políticos que foram registrados em 30 de junho, 53 são considerados prisioneiros de consciência pela organização Anistia Internacional, segundo o relatório.

O documento também lembra que em Cuba segue vigente a pena de morte e assinala que pelo menos um cubano e dois salvadorenhos se encontram "nos corredores da morte" há 15 anos, acusados de delitos que incluem uso de armas e explosivos.

Sánchez publica o relatório pouco antes da chegada do chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, nesta segunda-feira a Cuba para impulsionar a mediação da Igreja, que busca a libertação de presos políticos e o fim da greve de fome do dissidente Guillermo Fariñas, que corre risco de vida depois de 131 dias de jejum.

Moratinos anunciou em Madri que, com sua viagem de dois dias, espera "apoiar o esforço" do diálogo inédito iniciado há dois meses pela Igreja Católica e o governo de Raúl Castro, que, em sua opinião, trará "resultados positivos" para a situação dos direitos humanos na Ilha.

Apesar de a visita ainda não ter sido anunciada oficialmente em Havana, diversas fontes afirmaram que, além de se reunir com seu colega Bruno Rodríguez, o chanceler espanhol conversará com o cardeal Jaime Ortega, líder da Igreja Católica cubana.

A viagem despertou novas expectativas de libertações em um lento processo que, como primeiro fruto de um encontro de Raúl e Ortega em 19 de maio, trouxe até agora a libertação do preso político mais doente, Ariel Sigler , e a transferência de outros 12 a prisões em locais onde vivem suas famílias.

A visita ocorre no momento de um agravamento da saúde de Fariñas , um jornalista de 48 anos que iniciou em 24 de fevereiro uma greve de fome para exigir a libertação de 26 presos políticos doentes - o jejum começou um dia depois da morte do preso opositor Orlando Zapata, após 85 dias de greve de fome.

Em um incomum relatório do jornal oficial Granma, Cuba advertiu no sábado que Fariñas está "em perigo potencial de morte" por causa de um coágulo na jugular , apesar de os médicos do Estado estarem fazendo de "tudo" para salvá-lo, com tratamento de última geração no hospital da cidade de Santa Clara, onde está internado desde 11 de março.

*Com AFP e EFE

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