CS da ONU analisa adoção de novas sanções contra Coreia do Norte

Elena Moreno. Nações Unidas, 25 mai (EFE).- O Conselho de Segurança (CS) da ONU condenou hoje o teste nuclear norte-coreano e o lançamento de três mísseis de curto alcance como uma clara violação às resoluções do organismo, e afirmou que avaliará imediatamente se adotará novas sanções a Pyongyang.

EFE |

"Os membros do Conselho de Segurança ressaltam a firme oposição e condenação ao teste nuclear realizado pela Coreia do Norte, o que constitui uma clara violação à resolução 1.718", afirmou o presidente de turno e embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, ao fim da reunião do principal órgão de decisões da ONU.

O conselho se reuniu em caráter de emergência e a pedido do Japão por pouco mais de 40 minutos, e, ao fim do encontro, Churkin disse que todos os membros sentiram "a necessidade de dar uma resposta imediata" ao desafio lançado por Pyongyang.

O regime comunista norte-coreano informou hoje que realizou seu segundo teste nuclear, que causou uma explosão de 20 quilotons de potência, e que lançou três mísseis de curto alcance.

Este teste teve maior potência que o realizado em 9 de outubro de 2006, e gerou um tremor de 4,5 graus na escala Richter.

Os 15 países do Conselho decidiram expressar preocupação com as ações da Coreia do Norte em forma de comentários da Presidência, de categoria menor que as declarações ou resoluções, que em ocasiões anteriores demoraram até mais de uma semana para pactuar.

"É uma declaração de intenções" sobre o que vai acontecer, afirmou Churkin, que também ressaltou que os países concordaram em debater, a partir de amanhã, a possibilidade de autorizar uma nova resolução contra o país asiático.

Nesta ocasião, os países não demoraram a chegar ao consenso de que a ação do regime de Kim Jong-il violou a resolução 1.718, que foi aprovada depois do teste nuclear norte-coreano de 9 de outubro de 2006.

No documento, o organismo pede a Pyongyang para suspender as atividades relacionadas ao programa de mísseis balísticos e impõe sanções econômicas à Coreia do Norte.

Alguns países, como a França, conforme destacou hoje o embaixador adjunto francês perante a ONU, Jean-Pierre Lacroix, buscará "novas sanções que se somem às já existentes".

Ao fim do encontro, Lacroix afirmou que, "sem prejulgar as discussões que vão começar", a posição da França é pedir o reforço das sanções.

"O Conselho discutirá isso. É importante que o comportamento da Coreia do Norte, que esta grave provocação tenha um preço", disse Lacroix, que ressaltou a importância de que "haja uma reação forte do CS, que haja novas medidas que se somem às já existentes".

As sanções existentes contra a Coreia do Norte consistem na proibição de viajar para os representantes internacionais do país e no congelamento dos bens no exterior dos dirigentes norte-coreanos.

Resta ver, segundo os especialistas, o impacto real que um eventual reforço das sanções teria no regime norte-coreano, já isolado internacionalmente.

O embaixador do Japão perante a ONU, Yukio Takasu, ressaltou que a ação norte-coreana representava uma "ameaça global" à paz e à estabilidade, e afirmou que, com esse lançamento, a Coreia do Norte "tinha desafiado a autoridade do Conselho".

Por sua vez, a embaixadora dos Estados Unidos perante a ONU, Susan Rice, afirmou que a condenação firme e unânime de todo o CS foi uma "resposta adequada e inequívoca" à violação da resolução 1.718 e da lei internacional por parte da Coreia do Norte.

"Os Estados Unidos acreditam que é uma grave violação à lei internacional e uma ameaça à paz e segurança regional e internacional", disse Rice, a qual acrescentou que Washington buscará uma "firme resolução que contenha medidas contundentes".

Horas antes, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tinha afirmado que o lançamento norte-coreano era uma "grave e clara violação de resoluções relevantes do Conselho de Segurança da ONU".

Ban falou também que, com isso, a Coreia do Norte pode afetar negativamente a paz e a estabilidade regional, assim como o regime global da não-proliferação nuclear.

Após o lançamento de um míssil de longo alcance com capacidade nuclear em 5 de abril, uma das principais preocupações do responsável da ONU foi a retomada das conversas de seis lados entre EUA, Rússia, China, Japão e as duas Coreias sobre a segurança na península coreana.

A Coreia do Norte está tecnicamente em guerra há mais de meio século com o Sul, onde os Estados Unidos têm desdobrados quase 30 mil militares. EFE emm/db

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