Clakersville, Tennessee - Dusty Flynn se recorda com clareza do pior dia de sua vida. Era cedo em uma manhã de agosto de 2007 quando dois soldados apareceram em sua porta.

Eles nem tiveram que dizer a ela que seu ex-marido, Josh, que estava servindo no Iraque, havia morrido.

"Eles não vêm em sua casa apenas para dizer que ele foi ferido", afirma Dusty.

Os soldados disseram que o helicóptero de Josh, um Black Hawk, havia caído por causa de uma falha mecânica durante o primeiro giro dele pelo Iraque.

A notícia foi devastadora para Dusty. Agora com 27 anos, ela começou a namorar Josh quando tinha apenas 16. Apesar de terem se divorciado, ela ainda o considerava seu melhor amigo.

A parte mais difícil, no entanto, foi contar a notícia para o filho, Morgan, que tinha seis anos na época e adorava o pai. Ela conta que Morgan ficava perguntando se o pai estava seguro no paraíso.

Depois do funeral de Josh, que contou com a presença de centenas de pessoas, Dusty diz que se sentiu paralisada, mas encontrou uma maneira de canalizar o seu luto algumas semanas depois, quando Morgan perdeu seu primeiro dente.

Era uma tradição em sua família fazer uma almofada em formato de dentes, com um bolso para que um dente fosse colocado para a fada dos dentes. Dusty pediu para sua irmã Amy costurar um para Morgan. Amy concordou.

Quando deu o presente para Morgan, no entanto, Dusty se sentiu mal. Amy havia costurado a almofada com um antigo uniforme militar de Josh, e o presente tinha o nome do pai escrito na parte de cima.

"Senti tanta emoção", conta Dusty. "Era como se agora Morgan pudesse sentir Josh, podia sentir seu cheiro."
Morgan vem juntar-se a nós na sala de visitas. Ele tinha o travesseiro embaixo do braço e perguntei porque ele sentia tanto afeto pelo objeto.

"Isso me lembra o meu pai", respondeu o garoto. "Faz com que me sinta mais perto dele."
Dusty resolveu ajudar outras crianças em luto a se sentirem da mesma forma. Ela e a família criaram o projeto "Operação: Banguela", que faz almofadinhas para dentes com tecido dos uniformes dos soldados mortos.

A resposta foi impressionante. Dusty recebeu uma avalanche de ofertas de ajuda e suprimentos. Até agora, Dusty afirma que já despachou cerca de 200 almofadas.

Ela diz que o projeto a ajudou a lidar melhor com a perda e que, às vezes, passa horas no telefone com familiares de outros soldados mortos na guerra.

Depois de ouvir sua história, pareceu um pouco banal começar a falar sobre partidos políticos e eleições.

Ambos os candidatos à Presidência dos Estados Unidos têm idéias diferentes sobre como os militares americanos devem servir ao país, comentei com a Dusty. Em qual deles ela iria votar?
"Sabe, acho que os dois são líderes fortes", respondeu. "Vou deixar essa por conta de Deus. Acho que ele vai tomar conta de nós."
Eu, então, olhei para Morgan com esperanças de que Dusty tenha razão.

*Jon Kelly é jornalista da BBC e está cruzando os Estados Unidos em um ônibus. Por onde passa, ele entrevista americanos sobre qual é o melhor rumo para o país
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