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Cruz Vermelha teme catástrofe inimaginável no Sri Lanka

O diretor de operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Pierre Krahenbuhl, disse nesta quinta-feira que seus funcionários no Sri Lanka estão testemunhando uma catástrofe humana inimaginável na área dos confrontos entre o Exército e os rebeldes do grupo Tigres de Libertação da Pátria Tâmil. Nenhuma organização humanitária pode ajudá-los nas atuais circunstâncias, completou Krahenbuhl.

BBC Brasil |

A organização diz que o navio Green Ocean, que leva ajuda humanitária para os civis, não consegue chegar à costa nordeste do país há três dias por causa dos confrontos. Outro navio, do Programa Alimentar Mundial, também está à espera de acesso para conseguir entregar ajuda na zona de conflito, disse o comitê.

Segundo o correspondente da BBC no Sri Lanka Charles Haviland, há informações de que os funcionários do último hospital ainda em funcionamento na zona de guerra abandonaram o local, alvo de bombardeios constantes nos últimos dias, deixando para trás cerca de 400 feridos em estado grave e cem cadáveres.

No entanto, essa informação, fornecida por um agente de saúde que não quis se identificar, não pôde ser confirmada de forma independente, disse Haviland.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que há cerca de 50 mil civis presos nas zonas de conflito. Esse número, porém, não é confirmado pelo governo do Sri Lanka.

Fuga
O governo rejeitou pedidos internacionais para interromper sua ofensiva contra o grupo rebelde. A justificativa é que uma pausa daria tempo aos rebeldes para se recuperar.

Um porta-voz do Exército, Udaya Nanayakkara, disse à BBC que aeronaves não-tripuladas sobrevoando a zona de conflito gravaram imagens de mais de 2 mil civis atravessando uma lagoa para escapar dos confrontos e chegar a áreas controladas pelo governo.

"Há muitas pessoas atravessando (a lagoa), e (os rebeldes) atiraram contra elas. Quatro pessoas foram mortas, e 14 ficaram feridas", disse Nanayakkara.

As informações do Exército, no entanto, não podem ser confirmadas de maneira independente. Os rebeldes não se pronunciaram sobre o episódio. Governo e rebeldes trocam acusações sobre mortes de civis.

Com o agravamento da crise, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, enviou seu chefe de gabinete, Vijay Nambiar, de volta ao Sri Lanka para pedir maior proteção aos civis presos nas áreas de confronto.

Nesta quinta-feira, a Grã-Bretanha, do qual o Sri Lanka foi colônia no passado, disse que apoia uma investigação sobre possíveis crimes de guerra cometidos nas zonas de conflito.

O Conselho de Segurança da ONU pediu ao governo e aos rebeldes que garantam a segurança dos civis. O conselho manifestou "grande preocupação" com o agravamento da crise na região.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também pediu que o Exército interrompa os ataques a áreas de civis e que os rebeldes abandonem as armas.

Calcula-se que cerca de 200 mil civis estejam em campos de deslocados mantidos pelo governo.

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