Bogotá, 7 jan (EFE).- O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) disse hoje que tem a confiança das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e chamou de boa notícia um comunicado do grupo, que, paradoxalmente, considera insuficiente a participação desse órgão internacional na entrega de seis reféns.

Como "organização neutra e imparcial (a Cruz Vermelha) está disposta, como já fez em algumas ocasiões anteriores, a oferecer seus serviços, dando um caráter humanitário a essa missão", assinalou o porta-voz da organização Ives Heller.

"O que indica o comunicado das Farc é que há certa confiança no emblema da Cruz Vermelha, o CICV segue trabalhando, não somente para facilitar a libertação dos reféns detidos, mas também para brindar assistência aos refugiados", disse Heller.

As Farc em sua mensagem consideraram "insuficiente" a participação do CICV na anunciada libertação de seis dos mais de 700 reféns que se estima que mantenham em cativeiro e exigem a presença de uma personalidade estrangeira, um representante do movimento "Colombianos pela Paz" e a senadora Piedad Córdoba.

"Estamos de acordo em que a Cruz Vermelha participe de tal gestão humanitária. É uma boa garantia embora insuficiente, se levamos em conta as manipulações e abusos que este Governo cometeu em seu nome e sob a proteção de seu distintivo com fins de enganar", disse a carta das Farc.

Os "abusos", segundo as Farc, referem-se ao uso de emblemas da Cruz Vermelha com que o Exército colombiano enganou os sequestradores e libertou 15 reféns, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e três americanos, em julho do ano passado.

As Farc anunciaram em 21 de dezembro que liberarão os políticos Alan Jara e Sigifredo López, que mantém sequestrados, assim como três policiais e um soldado que não identificaram.

Os seis fazem parte de um grupo de 28 reféns que as Farc consideram "passíveis de troca" por integrantes presos. EFE fer/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.