Cruz Vermelha resgata mais um refém das Farc na Colômbia

VILLAVICENCIO - O ex-governador do departamento (Estado) colombiano de Meta, Alan Jara, foi libertado nesta terça-feira pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e encontra-se com a Cruz Vermelha, após sete anos de sequestro.

Redação com agências internacionais |


AP
Alan Jara abraça seu filho, observado por sua mulher, após libertação

Alan Jara abraça seu filho, observado por sua mulher, após libertação

Jara foi sequestrado em 15 de julho de 2001 quando viajava em um carro das Nações Unidas no interior do Estado de Meta. Na ocasião, as Farc acusaram Jara de ter vínculos com paramilitares de direita.

Ele é o quinto refém a ser libertado pelas Farc desde domingo. Segundo o porta-voz da Cruz Vermelha, Yves Heller, o ex-governador foi resgatado em uma área rural no Estado de Guaviare, e em seguida levado a Villavicencio, onde desembarcou por volta das 14h10, hora local (17h10 em Brasília).

No aeroporto da cidade, ele foi recebido pela esposa e pelo filho. Em uma breve declaração, Jara agradeceu à senadora Piedad Córdoba  e aos demais facilitadores pelo resgate.

Em entrevista coletiva, o ex-governador disse que a decisão das Farc de libertar seis reféns de forma unilateral "pode indicar um rumo político". "As Farc não estão debilitadas em nada", afirmou. "Não vejo outra saída, senão negociar".

O helicóptero brasileiro que transporta a missão humanitária de resgate partiu na manhã desta terça em Villavicencio, em direção ao sul da Colômbia, para receber Jara. O aparelho Cougar, com emblema da Cruz Vermelha, decolou às 8h50 (11h50 de Brasília) com a congressista colombiana Piedad Córdoba, um médico, dois delegados do organismo humanitário, e cinco tripulantes.

Além de Alan Jara, as Farc já entregaram  três policiais e um militar às autoridades . O último refém a ser libertado nesta missão, provavelmente na quinta-feira, será o ex-deputado Sigifredo López, refém desde 11 de abril de 2002 e único sobrevivente de um grupo de 12 deputados provinciais assassinados em cativeiro no dia 18 de junho de 2007.

As libertações ocorrem após meses de negociações com o movimento Colombianos pela Paz - organização criada com o objetivo de facilitar o resgate dos sequestrados ainda em poder da guerrilha.

Trata-se de uma libertação unilateral e incondicional por parte da guerrilha, que, na opinião de analistas, pretende abrir novos espaços de diálogo em meio a um processo de enfraquecimento militar do grupo. O Brasil participa da logística da missão, cedendo helicópteros, mecânicos e 18 militares.

Desentendimento

O resgate de Jara, previsto para segunda-feira, esteve a ponto de fracassar devido a desentendimentos entre o governo e o movimento Colombianos pela Paz, logo depois do resgate dos quatro reféns libertados no último domingo.

Ainda no meio da selva colombiana, o jornalista Jorge Botero, que acompanhou a missão, denunciou que aeronaves das forças armadas colombianas sobrevoaram o local onde foram libertados os reféns. Isso teria violado um acordo de paralisação das atividades militares na área de resgate.

Reuters
Ex-refém comemora a libertação na Colômbia

Giovanny Castro, um dos reféns, comemora a libertação na Colômbia

Em seguida, Botero teria facilitado a comunicação telefônica entre um membro das Farc e o canal de televisão Telesur. Na entrevista, o guerrilheiro disse que houve enfrentamento com as Forças Armadas, resultando na morte de um rebelde e no desaparecimento de outro.

Essas declarações levaram à interpretação de que o cessar-fogo de 36 horas anunciado pelo governo não teria sido cumprido. Uribe se irritou e, na segunda-feira, decidiu proibir a participação nos resgates seguintes do grupo Colombianos pela Paz, inclusive da senadora Piedad Córdoba.

Logo depois, o presidente colombiano voltou atrás em parte de sua decisão, ao permitir a participação de Córdoba na operação reiniciada nesta segunda-feira. Contudo, Botero e outro jornalista que acompanha a missão, Daniel Samper, permaneceram com acesso vetado ao helicóptero de resgate.

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