Cruz Vermelha fala em 3 milhões de desabrigados após terremoto no Haiti

Genebra, 13 jan (EFE).- Até três milhões de pessoas podem ter ficado desabrigadas pelo forte terremoto que devastou o Haiti na noite desta terça-feira, especialmente a capital, Porto Príncipe, segundo a Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV).

EFE |

"Esta é nossa projeção máxima. Trata-se de pessoas potencialmente afetadas, ou seja, não necessariamente mortas ou feridas, mas que perderam seus lares ou sofrem danos nos seus, por exemplo", disse à agência Efe Jean-Luc Martinage, porta-voz da FICV.

Martinage acrescentou que não há nenhum balanço de vítimas por enquanto, e que "neste momento, a prioridade é salvar as pessoas, antes de contar o número de mortos".

Segundo o porta-voz da FICV, a entidade vai lançar "em breve" um pedido de ajuda no valor de 5 milhões de francos suíços (3,2 milhões de euros), talvez "esta noite ou amanhã".

O chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Haiti, Riccardo Conti, afirmou que "é muito difícil circular pela cidade para avaliar as necessidades. O certo é que o terremoto afetou toda a população, que estava se recuperando de outras catástrofes recentes".

Segundo o CICV, seus nove colaboradores estrangeiros em Porto Príncipe estão a salvo, mas ainda não se sabe o paradeiro de seus 59 funcionários locais.

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) disse que suas equipes já estão tratando centenas de feridos pelo terremoto no Haiti nos hospitais de campanha montados em substituição às instalações médicas da entidade, que também foram afetadas pelo terremoto.

O hospital Martissant, situado na periferia de Porto Príncipe, foi esvaziado após o tremor. Seus pacientes estão nos hospitais de campanha, que já receberam entre 300 e 350 pessoas, principalmente com lesões traumatológicas e fraturas, e 50 delas com queimaduras, em alguns casos severas, causadas pela explosão de bujões de gás durante a derrubada de edifícios, segundo a MSF.

No centro médico de Pachot, foram atendidas entre 300 e 400 pessoas.

Um escritório administrativo da MSF em Pentionville, nos arredores de Porto Príncipe, também prestou assistência a pelo menos a 200 feridos.

Outros feridos recebem tratamento no que sobrou do hospital Maternité Solidarité, que ficou muito danificado após o terremoto.

Stefano Zannini, da MSF, descreveu a situação como "caótica" após avaliar o estado das instalações médicas e constatar que a maioria não estava em funcionamento.

Muitos destes centros, segundo Zannini, estão seriamente danificados e com um "angustiante" número de cadáveres.

Diversas partes da cidade estão sem eletricidade. Pessoas estão reunidas nas ruas ao redor de fogueiras.

O coordenador da MSF na região, Hans van Dillen, relatou que há centenas de milhares de pessoas dormindo nas ruas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou o envio de 12 especialistas de saúde e de logística ao país caribenho.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 11 militares do país que participam da Minustah, a força da ONU no Haiti, morreram em consequência do terremoto, e pelo menos outros cinco ficaram feridos.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no terremoto. EFE rcb/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG