Cruz Vermelha exige que Colômbia esclareça uso de seu emblema

BOGOTÁ (Reuters) - A Colômbia precisa esclarecer um aparente abuso deliberado do símbolo da Cruz Vermelha em um resgate de reféns, depois que um vídeo revelou novos detalhes da missão, disse o Comitê Internacional da Cruz Vermelha nesta quarta-feira. Oficiais de inteligência disfarçados de integrantes de equipes de ajuda humanitária enganaram rebeldes da guerrilha Farc, fazendo com que eles entregassem alguns reféns, incluindo a política franco-colombiana Ingrid Betancourt e três norte-americanos.

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O presidente Alvaro Uribe se desculpou no mês passado, dizendo que um dos oficiais na operação colocou um colete da Cruz Vermelha pois ficou nervoso ao ver a grande quantidade de rebeldes esperando para que seu helicóptero pousasse durante a missão.

Mas um vídeo da operação do dia 2 de julho, que vazou e foi transmitido nesta semana pelo canal colombiano de televisão RCN, atraiu críticas depois que imagens mostraram um soldado que aparentava vestir um colete com o símbolo da Cruz Vermelha no início da operação.

'Se forem autênticas, estas imagens podem claramente estabelecer um uso impróprio do emblema da Cruz Vermelha, algo que deploramos', disse o vice-diretor de operações da agência, Dominik Stillhart, em um comunicado.

'Estamos em contato com as autoridades colombianas para pedir mais esclarecimentos.'

O uso falso do símbolo da Cruz Vermelha, que representa a neutralidade de um grupo de auxílio, é contra as convenções de Genebra pois poderia colocar em risco a vida de equipes humanitárias trabalhando em zonas de guerra.

O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, disse que ele e outras autoridades de alto escalão não estavam inteiramente informados sobre os detalhes da missão. Ele pediu uma investigação sobre como o vídeo da missão foi feito e depois vazado.

O resgate de Betancourt, candidata à Presidência da Colômbia sequestrada em 2002, de três norte-americanos e de outros 11 reféns, foi elogiado como um dos maiores sucessos contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A campanha de Uribe, apoiada pelos Estados Unidos, empurrou os rebeldes de volta para áreas remotas e reduziu drasticamente a violência no conflito que dura quatro décadas.

(Reportagem de Patrick Markey)

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