O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) entregou à Espanha nesta segunda-feira cópias digitalizadas de arquivos sobre suas atividades durante a Guerra Civil espanhola de 1936-1939 e o acompanhamento da vida de refugiados espanhóis depois do conflito.

"São documentos relativos à Guerra Civil Espanhola, ao exílio e ao confinamento de espanhóis em campos de concentração durante a II Guerra Mundial", assinalou o ministro espanhol de Cultura, César Antonio Molina, ao receber os documentos das mãos do presidente do CICV, Jakob Kellenberg, segundo comunicado do ministério da Cultura espanhol.

A entrega dos arquivos aconteceu durante solenidade no Centro Documental da Memória Histórica de Salamanca (Castilha e León, centro).

"Qualquer pesquisador poderá consultar a partir de agora esses acontecimentos" segundo Molina, adiantando que poderão ser vistos pela internet "através do portal Arquivos Espanhóis (PARES)".

Segundo o ministério, são cerca de 300.000 documentos digitalizados", a maior parte "produzidos no transcurso da Guerra Civil Espanhola pelo denominado +Servicio de España+", que funcionou sob a direção de Marcel Junod entre agosto de 1936 e 1939.

O "Servicio de España" se encarregou da mediação entre os nacionalistas, sublevados, e o lado republicano, da troca de prisioneiros ou de estabelecer comunicações entre as famílias que haviam ficado separadas.

As fotografias mostram vítimas dos bombardeios aéreos de Madri, Barcelona e outras cidades, assim como visitas a campos de prisioneiros e evacuações de crianças para a França.

Outra parte dos arquivos é relacionada a espanhóis "levados aos campos de concentração e aos batalhões de trabalho da França, e posteriormente, aos campos de extermínio nazistas", assim como as gestões feitas em 1958 com a União Soviética para repatriar prisioneiros espanhóis da Divisão Azul, enviada pelo ditador Francisco Franco para ajudar Hitler na frente oriental.

Durante os três anos da guerra, o CICV e as dos sociedades da Cruz Vermelha espanhola registraram 30.000 pedidos de buscas de pessoas declaradas desaparecidas e transmitiram mais de cinco milhões de mensagens.

Delegados do CICV visitaram e registraram 89.000 prisioneiros durante esse periodo.

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