Cruz Vermelha confirma libertação de dez reféns pelas Farc

Guerrilha colombiana anunciou em fevereiro libertação de últimos policiais e soldados juntamente com fim de sequestros de civis

iG São Paulo |

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertaram seus últimos dez reféns policiais e militares nesta segunda-feira, segundo fontes da Cruz Vermelha.

Mudança: Farc anunciam fim de sequestros e libertação de dez reféns

AP
Ex-senadora Piedad Córdoba (E) participou de operação com Olga Amparo (D), da Colombianos e Colombianas pela Paz
Diferentemente do que se esperava, a libertação, que contou com a ajuda de helicópteros brasileiros, foi realizada em apenas uma parte. A informação inicial era que os reféns seriam libertados em duas etapas.

Os dez reféns encontraram suas respectivas famílias, que os esperaram no aeroporto de Villavicencio, capital do Departamento de Meta, no centro do país.

Com isso ganharam a liberdade os policiais e militares César Augusto Masso, Luiz Antonio Beltrán, Carlos José Duarte, Jorge Romero Romero, Jorge Trujillo Solarte, José Libardo Forero, Luis Arturo Arcia, Robinson Salcedo Guarín, Wilson Rojas Medina e Luis Alfredo Moreno.

A guerrilha levou os reféns até as coordenadas combinadas na selva colombiana, próximo à cidade de Mapiripán. O resgate aconteceu no mesmo Departamento onde, na semana passada, o Exército colombiano matou 36 guerrilheiros (seis deles, comandantes de frentes), depois de uma operação militar.

Os seis reféns presos estavam em poder da guerrilha havia 12 anos. Todos eles são membros das forças armadas ou de segurança da Colômbia sequestrados em ações realizadas entre 1998 e 1999, nos piores anos da atividade das Farc, guerrilha ativa desde 1964.

AP
Helicóptero da Força Aérea brasileira saiu no domingo do território brasileiro para a missão na Colômbia

A porta-voz da Cruz Vermelha Maria Cristina Rivera disse na chegada ao aeroporto de Villavicencio, leste de Bogotá, que o grupo chegaria no helicóptero da Força Aérea Brasileira com o logo da entidade humanitária.

As Farc anunciaram a libertação dos policiais e soldados no fim de fevereiro , juntamente com o fim de sequestros de civis como parte de suas operações com fins financeiros.

Missão

A operação desta segunda-feira teve a participação do Exército brasileiro, que cedeu dois helicópteros e 22 homens para a missão. É a quarta vez que o governo brasileiro colabora com liberação de reféns das Farc. Em Villavicencio, a Cruz Vermelha entregou oficialmente os resgatados aos familiares e a dois oficiais do Exército.

Somente os oficiais brasileiros, que conduziram a aeronave, dois integrantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, dois generais (um da Polícia e outro do Exército da Colômbia), além de Piedad Córdoba e Olga Amparo, da ONG Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP), viajaram até o local do resgate, na selva colombiana.

Devido ao mau tempo, os helicópteros demoraram cerca de duas horas para sair de Villavicencio em direção ao local do resgate. Mas depois disso, segundo a Cruz Vermelha, tudo aconteceu dentro do previsto e no meio da tarde os oficiais já estavam com a comitiva da missão humanitária.

A operação começou no domingo, quando os helicópteros do Exército brasileiro decolaram de São Gabriel da Cachoeira, Amazonas, em direção a Villavicencio. As operações militares do governo colombiano foram então suspensas na região, cumprindo os protocolos de segurança. O cessar-fogo permanece em vigor até às 6 da manhã desta terça-feira.

Segundo fontes do Exército colombiano, os reféns vieram de diferentes regiões de país, já que nos últimos tempos as Farc haviam optado por deixá-los sob responsabilidade de frentes diferentes. O deslocamento de alguns desses reféns começou há pelo menos dois meses, para que eles pudessem chegar a tempo até o local do resgate.

Negociações

Com a liberação dos últimos reféns militares e policiais, cresce a pressão para que o governo colombiano reconheça a libertação unilateral dos colombianos como um "gesto de paz".

A ex-senadora Piedad Córdoba e o ex-presidente Ernesto Samper pediram em Villavicencio que o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, se manifeste e reconheça o gesto das Farc como ato de boa vontade. Acadêmicos e ONGs estudiosas do conflito também pressionam o governo, pedindo maior "abertura" para o diálogo a partir de agora.

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O fim do sequestro como arma política era uma das antigas reivindicações da ONG Colombianos e Colombianas pela Paz. Há três anos, Piedad e a ONG mantêm negociações com as Farc, que já permitiram a libertação de maneira unilateral de 20 rebeldes e, agora, os dois compromissos finais deles sobre os sequestros.

Uma das revindicações pendentes do lado da guerrilha é a visita aos presos das Farc. A ex-senadora e um grupo de mulheres, dentre elas a brasileira Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial pela Paz, esperam permissão do governo colombiano para visitarem os presídios do país.

Por outro lado, as Farc também são pressionadas para que se manifestem sobre os reféns civis. Os números são controversos, mas segundo a ONG País Libre há 405 civis em poder das Farc.

ONGs e parentes desses sequestrados aproveitaram a ocasião da liberação dos prisioneiros militares para pedir que os civis não sejam esquecidos e que a guerrilha apresente uma lista com nomes daqueles que possam estar em seu poder ou que informem o local onde foram mortos e enterrados.

*Com AP e BBC

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