Genebra, 8 jan (EFE).- O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) acusou hoje Israel de faltar com o dever de assistir os feridos no conflito na Faixa de Gaza e de impedir que eles sejam socorridos por outras entidades.

O CICV afirmou que as Forças Armadas israelenses "não cumpriram a obrigação imposta pelo direito internacional humanitário de atender e evacuar os feridos".

"A demora em permitir o acesso dos serviços de resgate é inaceitável", acrescentou.

Uma equipe desta organização conseguiu entrar pela primeira vez na tarde de ontem em várias casas do bairro de Zaytun, na Cidade de Gaza, que foram atingidas pelos bombardeios das forças israelenses, onde encontraram cadáveres, feridos e crianças extremamente debilitadas.

A autorização para que o CICV e ambulâncias do Crescente Vermelho Palestino chegassem a essas vítimas chegou quatro dias após a solicitação, disse um porta-voz da organização, em Genebra.

"A equipe conjunta encontrou em uma das casas quatro crianças pequenas ao lado da mãe morta. Elas estavam tão fracas que não conseguiam se manter de pé", relatou a Cruz Vermelha.

No total, foram encontrados 15 cadáveres, com o resgate de 18 feridos e de 12 pessoas muito debilitadas.

O CICV denunciou que, enquanto seus colaboradores cumpriam esta missão, soldados israelenses que estavam a cerca de 80 metros de distância ordenaram que deixassem a área, o que os trabalhadores humanitários se negaram a fazer.

Os soldados israelenses inclusive tinham colocado barreiras que impediam a passagem das ambulâncias, por isso as crianças tiveram que ser levadas a esses veículos em carretas.

"Este foi um incidente chocante. Os militares israelenses deviam saber da situação, mas não atenderam os feridos, nem fizeram o possível para que nós ou o Crescente Vermelho Palestino tratasse deles", disse o responsável do CICV em Israel e nos territórios ocupados, Pierre Wettach.

A equipe de resgate só conseguiu retirar dois cadáveres e esperava voltar hoje para buscar os restantes.

O CICV pediu a Israel um acesso seguro para seu pessoal e ambulâncias a essa área, para assim resgatar outros feridos, mas ainda espera uma resposta. EFE is/an

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