Cruz Vermelha abandona temporariamente área de conflito no Sri Lanka

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou nesta terça-feira que abandonou temporariamente sua tentativa de entregar ajuda e retirar civis de uma área de conflito dominada por rebeldes no noroeste do Sri Lanka devido ao perigo enfrentado na região.

BBC Brasil |

Segundo o correspondente da BBC na capital, Colombo, Charles Haviland, a Cruz Vermelha retirou cerca de 14 mil civis da região onde os combates entre governo e o grupo separatista rebelde Tigres de Libertação da Pátria Tâmil estão ocorrendo.

A organização conseguiu retirar as pessoas pela costa do Sri Lanka com o envio de um navio que parou nas cidades da região. O mesmo navio entregava medicamentos e alimentos para as dezenas de milhares de pessoas que ainda estavam na região.

Mas a porta-voz da Cruz Vermelha Sarasi Wijeratne disse à BBC que esta missão foi abandonada, apesar de o navio ter permanecido na costa, esperando, por várias horas.

"Hoje (terça-feira), o (navio) Green Ocean, que a Cruz Vermelha fretou para a retirada de pessoas doentes e feridas da área de conflito foi até aquela região, mas devido à situação que prevalece, o navio não conseguiu realizar a retirada dos pacientes e nem descarregar os suprimentos de alimentos", afirmou.

Ataque final

O governo do país afirmou que lançou um ataque final contra posições do grupo separatista rebelde Tigres de Libertação da Pátria Tâmil na pequena região dominada pelos rebeldes.

Wijeratne afirmou que estes confrontos impedem que a Cruz Vermelha faça seu trabalho e pediu que os dois lados cumpram a promessa de permitir que agências de ajuda humanitária operem na região com segurança.

"Para que operações humanitárias sejam realizadas é importante que os dois lados do conflito garantam passagem segura para a travessia e também é essencial o fornecimento de garantias de segurança. E, mais uma vez, é necessário que estas garantias se transformem em algo concreto na região", afirmou.

A porta-voz também informou que muitas das pessoas retiradas pela Cruz Vermelha foram feridas nos confrontos.

"Entre os que foram retirados, cerca de 60% foram feridos e a maioria deles gravemente. Há pacientes que tiveram seus membros amputados, há pacientes com ferimentos causados por fragmentos", disse.

Hospital atingido

O grupo Tigres de Libertação da Pátria Tâmil afirmou que as forças do governo do Sri Lanka bombardearam um hospital dentro da zona de conflito, matando 49 pessoas.

Os rebeldes afirmam que o hospital improvisado em Mullivaikal foi atingido pela manhã. O governo do Sri Lanka nega o ataque. Não é possível verificar as acusações, pois jornalistas estão proibidos de entrar na região.

Mais de 400 pessoas foram mortas e mais de mil ficaram feridas durante o final de semana devido aos confrontos entre governo e rebeldes, os quais a ONU descreveu como "banho de sangue".

Os rebeldes e o Exército do Sri Lanka acusam-se mutuamente de atrocidades cometidas na guerra civil, que se agravou no mês passado.

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