Cruz e Crescente Vermelho: Na guerra há regras que devem ser respeitadas

Jorge Fuentelsaz. Cairo, 10 jan (EFE).- O presidente da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, o espanhol Juan Manuel Suárez del Toro, fez um apelo hoje no Cairo para o respeito do direito internacional humanitário na Faixa de Gaza.

EFE |

"Não é aceitável que esteja acontecendo isto neste momento. O direito internacional humanitário estabelece que a guerra, ainda dentro de sua atrocidade, também tem regras e estas devem ser respeitadas", disse Suárez del Toro em entrevista concedida à Agência Efe.

Após participar em reunião da Federação Internacional e das distintas Crescente Vermelho do Egito, Jordânia e Palestina, Suárez del Toro insistiu em que a prioridade é a abertura de corredores humanitários que devem ser mantidos e o livre acesso às vítimas do conflito.

Nesta reunião se transmitiu a todas as organizações nacionais a necessidade não só de que se conscientize a população para que preste socorro humanitário, mas que sensibilize "seus Governos para que se pressione e seja respeitado o livre acesso às vítimas e à ajuda humanitária".

"Não temos a capacidade de acesso às pessoas nem temos a livre circulação para fazer nosso trabalho. Não queremos outra coisa", ressaltou Suárez del Toro de caminho ao aeroporto para voltar à Espanha.

Suárez del Toro - que ressaltou que a situação atual em Gaza, onde em 15 dias de ataques israelenses morreram mais de 800 pessoas - destacou que "a situação é de tal vulnerabilidade que é preciso começar pelo mais básico".

"Não se pode esquecer que não são somente os feridos, que evidentemente é talvez o mais dramático que se vê. O povo não tem eletricidade, está passando frio, fome, não há água e isto vem de um bloqueio de 18 meses. A situação é de uma vulnerabilidade absoluta", disse o espanhol.

Neste sentido, Suárez del Toro advertiu que a situação poderia impulsionar os palestinos a avançarem em direção ao Egito para escapar da Faixa de Gaza, como ocorreu em janeiro de 2008.

"Há um plano de contingência se finalmente, como pode ser previsível, os palestinos forem em dezenas ou centenas de milhares em direção à fronteira sul", comentou Suárez del Toro, justificando esta eventual fuga por causa do "desespero" do povo.

Por outro lado, ele insistiu na boa resposta em nível internacional ao apelo realizado pelo Crescente Vermelho palestino, embora novamente, tenha voltado a insistir em que neste momento o problema não está na ajuda que recebem, mas na incapacidade de fazer com que a ajuda chegue a quem precisa.

Finalmente, Suárez del Toro insistiu mais uma vez nas dificuldades da organização que dirige para fazer seu trabalho e fez "um apelo à cordura" para o respeito da dignidade humana e do direito internacional humanitário, com o se comprometeram os estados "não só a respeitá-lo, mas a que outros o respeitem".

A reunião da qual o presidente da federação internacional participou, tinha sido convocada pela presidente do Crescente Vermelho egípcio e primeira-dama do país, Suzanne Mubarak, com o objetivo de coordenar esforços e de trabalhar para o acesso seguro para a ajuda humanitária em um conflito no qual não está descartada uma nova tragédia de refugiados. EFE jfu/ma

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