Crueldade dos seqüestros na Bulgária comove o país

Vladislav Punchev Sófia, 15 jul (EFE).- Eles tratam seus reféns de forma brutal, torturam e adquiriram o costume de cortar dedos para forçar o pagamento de resgates, em cruéis formas de atuação das organizações criminosas búlgaras que têm comovido a sociedade búlgara.

EFE |

O último caso que estremeceu o país foi a dramática libertação do executivo Angel Bonchev, presidente do clube de futebol Litex, ganhador da Copa búlgara, após 52 dias de cativeiro, e o posterior seqüestro de sua esposa.

Bonchev foi encontrado na sexta-feira passada em um subúrbio de Sófia em estado crítico, nu, com sinais de tortura, dois dedos da mão esquerda decepados e drogado com um potente coquetel que combinava heroína, cocaína e outras substâncias sintéticas.

"O estado de Bonchev comprova que foi vítima de um tratamento desumano", comentou o promotor de Sófia, Nikolay Kokinov, acrescentando que este tipo de crimes mancha a imagem do país, que passou a integrar a União Européia (UE) em 2007.

Segundo revelaram à Agência Efe fontes da investigação, Bonchev foi jogado de um carro depois de sua esposa, Kamelia, ter pagado um resgate de entre 200 mil e 390 mil euros (de US$ 318 mil a US$ 620 mil).

Apesar disso, a mulher foi seqüestrada no momento da entrega do dinheiro, porque um dos policiais que a acompanhava foi identificado pelos seqüestradores, segundo a imprensa búlgara.

O fato de que o seqüestro ocorreu por causa do fracasso de uma operação policial - sobre a qual o ministro do Interior, Mihail Mikov, não quis comentar hoje - impulsionou uma grande operação para tentar localizá-la.

Também demonstra o grau de preparo do crime organizado: no momento da captura de Kamelia Boncheva, os delinqüentes com capuzes bloquearam o sinal dos telefones celulares e o rádio da Polícia, o que permitiu que eles fugissem.

"A prática demonstra que sempre há policiais nos grupos", disse hoje o prefeito de Sófia, Boyko Borisov, que foi ex-secretário de Estado do Ministério Interior durante o Governo anterior liderado por Simeón de Saxônia e Coburgo.

A mesma versão foi confirmada à Efe por fontes dos serviços de luta contra o crime organizado, que pediram anonimato.

Segundo estas fontes, os seqüestradores de Bonchev e de sua esposa são ex-policiais especiais que teriam recebido parte do treinamento no México, um país com alta taxa de seqüestros.

Cada ação destes grupos especializados em seqüestro e altamente profissionais gera um lucro de 500 mil euros (quase US$ 800 mil), segundo os especialistas policiais.

Em alguns dos casos, os seqüestrados voltam para casa alguns dias depois do pagamento de enormes quantias, mas não são raras as ocasiões nas quais os parentes não recebem qualquer informação por meses ou anos.

Em muitos dos casos, os seqüestrados são filhos de executivos com um alto nível de vida, que estão dispostos a pagar a soma exigida sem chamar a Polícia.

Assim foi o caso de um empresário que pôs o dinheiro em uma mochila e a lançou de um trem em um lugar determinado pelos seqüestradores após ver um vídeo no qual seu filho aparecia amordaçado enquanto algumas pessoas mascaradas batiam nele a pauladas.

A Bulgária, além disso, teme o relatório da Comissão Européia (CE) que será liberado no dia 23 de julho, no qual são previstas duras críticas que afetariam os fundos europeus para o país devido à incapacidade das autoridades para acabar com os altos níveis de corrupção e crime organizado que imperam na nação. EFE vp/bm/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG