Cronologia oficial do caso do austríaco que abusava da filha

Viena, 30 abr (EFE) - Três dias após deter Josef Fritzl, acusado de trancafiar durante 24 anos em um porão sua filha, a quem estuprou sistematicamente e com quem teve sete filhos, as autoridades austríacas divulgaram hoje uma cronologia dos fatos, segundo as últimas investigações. O relato da Direção de Segurança da Baixa Áustria começa com o desaparecimento de Elisabeth Fritzl - a filha que era abusada por Josef - em 29 de agosto de 1984, registrada com uma queixa e um relatório oficial. Em maio de 1993, Lisa, aos 9 meses, foi encontrada no edifício de apartamentos da família Fritzl, junto a uma carta escrita por Elisabeth, na qual explica a seus pais que já é mãe de uma menina (Kerstin) e de um menino (Stefan), e que não pode tomar conta da pequena Lisa. Dezoito meses mais tarde aparece de forma semelhante, no mesmo local, Monika, de 10 meses, e, em agosto de 1997, a situação se repete com Alexander, de 15 meses. Em 2003, Elisabeth F. supostamente escreveu uma carta na qual informa que deu à luz um filho em 16 de dezembro de 2002, acrescenta a Polícia.

EFE |

Já em 19 de abril de 2008, Kerstin F., de 19 anos, gravemente doente e inconsciente, é deixada na casa dos avós.

Após ser internada em um hospital, as autoridades iniciaram as primeiras investigações, ordenando exames de sangue e urina de Kerstin, assim como outros testes de saliva das crianças, dos avôs e da encontrada nos envelopes das cartas, para compará-los.

Além disso, foram investigadas as origens de diversas ligações telefônicas dos números conhecidos da família.

Na noite do sábado passado, Josef e Elisabeth foram descobertos nas proximidades da Clínica Mostviertel-Amstetten (onde Kerstin estava internada) e foram levados à delegacia de Polícia para ser interrogados.

No interrogatório, Elisabeth F. causou uma impressão de "extrema perturbação psíquica" e seu estado físico chamou a atenção.

Após uma longa conversa na qual foi confirmado que ela não seria mais forçada a ter contato com seu pai e que seus filhos ficariam bem, ela se mostrou disposta a fazer uma declaração ampla, indica a nota policial.

Nessa segunda declaração, Elisabeth, agora com 42 anos, afirmou que seu pai a tinha violentado reiteradas vezes desde que completou 11 anos e que em 28 de abril de 1984 foi com ela até o porão, drogou-a e a amarrou com algemas, encarcerando-a em um quarto.

Ela explicou que nos 24 anos de cativeiro seu pai abusou dela sistematicamente. Em decorrência disso, nasceram seus sete filhos.

Em 1996, deu à luz gêmeos e ambos nasceram vivos, mas um deles morreu, aparentemente por falta de atendimento, pouco após vir ao mundo. Seu pai levou o corpo do bebê e o incinerou.

A nota indica que três das crianças foram adotadas, após "ser encenado um abandono", por Josef e sua esposa, Rosemarie, enquanto Kerstin, Stefan e Félix, de 5 anos e o último a nascer, viveram sempre junto à mãe, trancados no porão.

O relato policial acrescenta que Josef F. tirou recentemente sua filha Elisabeth, Stefan e Felix do porão e explicou a sua esposa que sua filha tinha voltado para casa com duas crianças.

Segundo as declarações de Elisabeth, só Josef lhes fornecia de comida e roupas a ela e a seus filhos. Rosemarie não sabia nada do encarceramento e não tinha nada a ver com isso.

Com base nestas declarações de Elisabeth, Josef F. foi detido por ordem da Promotoria de Sankt Pölten e levado ao Centro Penitenciário do Tribunal de Sankt Pölten, após o qual o acusado confessou, mas contou alguns detalhes que diferem da versão de Elisabeth.

Os testes de DNA realizados na família confirmaram que Josef F. é o pai dos filhos de Elisabeth, e que também foi ele quem selou com sua saliva uma carta enviada por correio em janeiro 2002.

As vítimas estão internadas na unidade de tratamento psicológico na Clínica Mostviertel-Mauer, enquanto as investigações do caso continuam. EFE wr/db

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