Cronologia: eventos em Cuba desde a morte de Orlando Zapata

Veja os principais acontecimentos na ilha governada por Raúl Castro em 2010

EFE |

A Igreja Católica de Cuba anunciou nesta quarta-feira que o governo Raúl Castro libertará 52 presos políticos, cinco deles nas próximas horas, e os demais ao longo dos três ou quatro meses seguintes.

Veja a cronologia dos eventos mais importantes em Cuba após a morte do preso Orlando Zapata:

FEVEREIRO :

23 - Orlando Zapata Tamayo, um pedreiro de 42 anos preso na Primavera Negra (2003) e condenado a 36 anos de prisão, morre em um hospital de Havana após 85 dias em greve de fome. Ele pedia tratamento de 'preso de consciência'. Sua morte gera críticas internacionais ao governo cubano, principalmente de Estados Unidos e Europa.

AFP
Orlando Zapata, em foto sem data
24 - Presidente de Cuba, Raúl Castro, lamenta a morte de Zapata, diz que o ocorrido é fruto da relação com os EUA e nega que exista tortura na ilha. Além disso, o psicólogo e jornalista independente Guillermo Fariñas, de 48 anos, inicia uma greve de fome por Zapata e para pedir a libertação de 26 presos políticos doentes.

25 - Zapata é enterrado em seu povoado natal, Banes, na província de Holguín, entre forte esquema de segurança.

26 - Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) anuncia que quatro presos políticos começaram greves de fome. Eles abandonariam o protesto em 3 de março.

27 - "Granma", jornal porta-voz do Partido Comunista de Cuba, menciona pela primeira vez a morte de Zapata. O diário critica o dissidente, assim como governos e imprensa de outros países que condenaram ou lamentaram o fato.

28 - Barbeiro Franklin Pelegrino del Toro se declara em greve de fome em Cacocum (Holguín) para pedir a liberdade dos presos políticos doentes. Ele abandonaria o protesto 40 dias depois. Além disso, cerca de dois mil exilados cubanos protestam em Miami (EUA) contra o governo de Cuba, a quem responsabilizam pela morte de Zapata.

MARÇO

3 - Chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, nega que em seu país existam presos políticos.

5 - Fariñas recebe um diplomata espanhol e diz que o protesto é "irreversível".

8 - "Granma" se refere pela primeira vez a Fariñas e o tacha de "agente dos EUA e delinquente comum violento". Mais de 50 opositores cubanos expressam seu apoio ao jejum de Fariñas.

11 - Parlamento Europeu aprova condenação a Cuba pela morte de Zapata e exige a libertação de todos os presos políticos. Assembleia cubana acusa a Eurocâmara de "manipular, mentir e tergiversar". Fariñas sofre um novo desmaio e é internado no hospital provincial de Santa Clara.

16 - Damas de Branco iniciam uma série de marchas de protesto em Havana pelos sete anos do encarceramento e condenação de seus parentes.

17 - Agentes cubanos empurram e arrastam 30 Damas de Branco, e as forçam a subir em dois ônibus, pondo fim à marcha por subúrbios de Havana.

18 - Presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, condena a "brutalidade policial" contra as Damas de Branco em Cuba e exige a "libertação imediata de todos os presos políticos".

21 - Damas de Branco finalizam sua série consecutiva de marchas de protesto rodeadas por policiais e entre insultos de centenas de partidários do Governo.

22 - Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamenta morte de Zapata.

25 - Milhares de pessoas marcham em Miami em solidariedade às Damas de Branco. O ato fora convocado pela cantora cubano-americana Gloria Estefan.

29 - Madri oferece um avião-ambulância a Fariñas para que viaje à Espanha, dado seu grave estado de saúde. O dissidente rejeita. Além disso, milhares marcham pela cidade de Los Angeles para pedir liberdade em Cuba, em um ato protagonizado pelo ator Andy García.

30 - Secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, pede ao Governo cubano a libertação de 26 presos políticos doentes.

ABRIL

4 - Presidente Raúl Castro afirma que Cuba prefere "desaparecer" a aceitar a "chantagem" feita em EUA e Europa sobre os direitos humanos na ilha.

8 - Opositores pedem a Raúl Castro um referendo sobre a liberdade dos presos políticos.

18 - Damas de Branco são ameaçadas e encurraladas por dezenas de partidários do governo, que tentavam impedir sua habitual manifestação dos domingos.

Reuters
Partidários do governo cercam Damas de Branco em Havana (abril/2010)

22 - Grupos de dissidentes propõem às Damas de Branco que busquem uma candidatura ao Prêmio Nobel da Paz.

25 - Dezenas de seguidores do Governo impedem, pelo terceiro domingo consecutivo, o desfile das Damas de Branco.

28 - Grupo de 88 opositores e ativistas de direitos humanos em Cuba pede a Fariñas que abandone a greve de fome.

MAIO

2 - Damas de Branco retomam passeatas pacíficas graças à mediação da Igreja Católica perante o governo Raúl Castro, como revela o Arcebispo de Havana, o cardeal Jaime Ortega.

12 - Grupo de destacados escritores, intelectuais e artistas como Mario Vargas Llosa e Pedro Almodóvar apresentam em Madri uma plataforma para que Cuba alcance a democracia.

20 - Imprensa oficial cubana informa de uma reunião realizada em 19 de maio entre o presidente Raúl Castro e as principais autoridades católicas cubanas. Cardeal Jaime Ortega confirma que a situação dos presos políticos está sendo tratada "muito seriamente" com o governo dentro de um "processo" de diálogo iniciado com a Igreja Católica.

21 - Fariñas anuncia que abandonará a greve se o governo cubano libertar os presos políticos mais doentes - entre dez e 12 - e caso se comprometa a soltar os demais.

JUNHO

1 - Governo de Raúl Castro transfere seis presos políticos a centros penitenciários de suas províncias de residência. É a primeira medida tomada após a reunião com a Igreja.

© AP
Familiares de Ferrer comemoram sua liberdade condicional (junho/2010)
3 - Fariñas completa 100 dias em greve de fome e sede.

11 - Governo de Cuba comunica à Igreja Católica a iminente libertação por motivos de saúde do preso dissidente Ariel Sigler e uma nova transferência de seis presos a centro de detenção de suas províncias de residência.

12 - Ariel Sigler, paraplégico e gravemente doente, recebe licença na prisão.

20 - Ariel Sigler obtém visto humanitário dos Estados Unidos e se dispõe a viajar.

22 - Dissidente Darsi Ferrer, considerado prisioneiro de consciência pela Anistia Internacional (AI), sai da penitenciária em regime de prisão domiciliar. Ele estava há 11 meses em prisão preventiva.

24 - Fariñas completa quatro meses de greve de fome e sede.

JULHO

3 - CCDHRN afirma que, se Fariñas morrer, o único responsável será o governo Raúl Castro por não libertar os presos políticos doentes. Saúde de Fariñas se agrava.

5 - Fariñas responsabiliza os irmãos Castro por sua eventual morte. O dissidente diz que sua morte, no entanto, seria "uma honra" pois seria tentando "salvar a vida de 25 presos políticos".

7 - Igreja anuncia que governo vai liberar 52 presos políticos.

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