Caracas, 14 fev (EFE).- Os venezuelanos vão às urnas amanhã para participar de referendo sobre emenda constitucional que pode permitir ao presidente Hugo Chávez optar por um terceiro mandato em 2012.

Chávez, ex-militar que liderou um golpe de Estado em 1992, completou recentemente uma década como presidente da Venezuela eleito democraticamente.

Segue cronologia dos mais de dez anos de Governo Chávez:.

1998.

- 6 de dezembro: Chávez vence eleições presidenciais com 56,2% dos votos.

1999.

- 2 de fevereiro: Chávez jura como presidente e promete convocar plebiscito para escolher Assembleia Nacional Constituinte, encarregada de redigir uma nova Carta Magna.

- 15 de dezembro: Venezuelanos aprovam em referendo uma nova Constituição.

2000.

- 22 de junho: Comissão legislativa nacional fixa pleito necessário para legitimar cargos públicos no marco da nova Constituição.

- 30 de julho: Chávez vence novas eleições presidenciais com 59% dos votos. "Chavistas" controlam Assembleia Nacional, cargos de autoridades provinciais e municipais.

- 7 de novembro: Assembleia Nacional dá a Chávez poderes especiais para legislar por decreto durante um ano nas áreas econômica, social e de administração pública.

2001.

- 13 de novembro: Chávez aprova por decreto 49 leis econômicas, entre elas a Lei de Terras e a Lei de Hidrocarbonetos, o que provoca ampla rejeição entre setores empresariais.

- 10 de dezembro: Apoiada por sindicatos, Federação de Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela (Fedecamaras) convoca greve que paralisa 90% do país.

2002.

- 15 de março: Gerência da estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) se rebela contra mudanças propostas pelo Governo e se declara em greve.

- 9-11 de abril: Greve sindical e empresarial de 24 horas é ampliada para 48 e depois fica sem prazo definido para terminar.

- 11 de abril: Concentração de milhares de opositores em frente a uma das sedes da PDVSA decide seguir rumo ao palácio presidencial de Miraflores para pedir a renúncia de Chávez e se depara com simpatizantes "chavistas" em confrontos que deixam pelo menos 19 mortos e uma centena de feridos.

- 12 de abril: Chávez é levado à base militar de Forte Tiuna, em Caracas, e horas depois o chefe do alto comando militar, general Lucas Rincón, anuncia que o governante assinou a renúncia como presidente. Pedro Carmona, presidente da Fedecamaras, se autoproclama presidente de um Governo transitório.

- 13 de abril: "Chavistas" protestam em Caracas, ao mesmo tempo em que se produzem novos focos de violência e saques em comércios da cidade, com saldo de pelo menos 50 mortos, segundo números oficiais.

Vice-presidente constitucional, Diosdado Cabello, assume a Presidência, e Carmona anuncia renúncia.

- 14 de abril: Chávez chega ao palácio presidencial de Miraflores e assume de novo a Presidência.

- 10 de setembro: Depois de se reunir com missão mediadora da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da ONU, que tratam de impulsionar a conciliação na Venezuela, Chávez admite possibilidade de deixar o poder em 2003, caso isso fiquer decidido em um plebiscito.

- 2 de dezembro: Oposição, com apoio de sindicatos e da Fedecamaras, inicia greve para exigir renúncia de Chávez. À greve, que se estendeu por 63 dias, se unem funcionários de alto escalão da PDVSA, que teve 19 mil trabalhadores demitidos pela acusação de realizar "sabotagens terroristas".

2003.

- 29 de maio: Governo e oposição assinam acordo mediado pelo secretário-geral da OEA, César Gaviria, para pôr fim à crise por vias constitucionais.

2004.

- 3 de junho: Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anuncia que a oposição conseguiu reunir mais de 2,4 milhões de assinaturas para validar o plebiscito revogatório do mandato de Chávez.

- 15 de agosto: Chávez vence referendo revogatório com 59% dos votos e é ratificado no cargo.

2005.

- 29 de novembro: Principais partidos da oposição anunciam retirada das eleições legislativas de 4 de dezembro, alegando desconfiança no sistema de votação e na direção do CNE.

- 4 de dezembro: Acontecem eleições legislativas, sem a participação da oposição. Partidários de Chávez ficam com as 167 cadeiras da Assembléia Nacional, em processo que registrou uma abstenção superior a 70%.

2006.

- 12 de agosto: Chávez formaliza sua inscrição junto às autoridades eleitorais como candidato à reeleição em 3 de dezembro.

- 19 de agosto: Governador do estado de Zulia, Manuel Rosales, se candidata à Presidência com o apoio de 41 partidos da oposição.

- 3 de dezembro: Chávez vence eleições para o período 2007-2013 com mais de 62% dos votos, em processo marcado pela tranquilidade e por uma participação eleitoral superior a 75%, segundo dados do CNE.

- 15 de dezembro: Chávez anuncia criação de uma legenda única chamada Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), por meio do qual pretende reunir as 24 organizações políticas que o apoiaram na reeleição.

2007.

- 3 de janeiro: Chávez anuncia reajuste ministerial com a designação de Jorge Rodríguez como novo vice-presidente em substituição a José Vicente Rangel, seu homem de confiança nos primeiros oito anos de Governo.

- 8 de janeiro: Chávez acompanha juramento dos novos membros do Governo. Presidente segue apostando no aprofundamento da "revolução" e na instauração do socialismo do século XXI na Venezuela. Anuncia que neste novo mandato se nacionalizará "tudo o que foi privatizado".

- 21 de fevereiro: Chávez, acompanhado pelo então presidente da Argentina, Néstor Kirchner, anuncia criação do Banco do Sul.

- 1º de maio: Estado venezuelano, por meio da PDVSA, assume controle operacional das atividades primárias relacionadas com hidrocarbonetos na região de Orinoco, no centro do país.

- 27 de maio: Canal "RCTV" deixa de transmitir por sinal aberto após a decisão do Governo Chávez de não renovar sua concessão, e em meio a fortes protestos.

- 15 de agosto: Chávez apresenta proposta de reforma constitucional, que inclui a modificação de 33 dos 350 artigos da Carta Magna de 1999.

- 2 de novembro: Assembleia Nacional aprova projeto de reforma de 33 artigos, ampliado posteriormente pelos deputados para 69. Nesse mesmo dia, CNE convoca referendo sobre as mudanças constitucionais para 2 de dezembro.

- 2 de dezembro: Eleitores rejeitam a reforma constitucional impulsionada por Chávez, que incluía a possibilidade de reeleição por tempo indeterminado.

2008.

- 2 de março: Venezuela ordena a retirada de sua equipe diplomática em Bogotá em meio a crise envolvendo as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e anuncia mobilização de tropas na fronteira.

- 7 de março: Presidente colombiano, Álvaro Uribe, e Chávez abrem caminho à reconciliação, ratificando no mês de julho o fim das hostilidades devido ao caso das Farc.

- 19 de junho: Venezuela nacionaliza o setor cimenteiro.

- 11 de setembro: Venezuela expulsa o embaixador americano em Caracas, em solidariedade com a Bolívia.

- 23 de novembro: São realizadas eleições regionais, nas quais o PSUV ganha 17 dos 22 Governos em disputa e 80% dos municípios. A oposição fica com Estados-chave.

2009.

- 14 de janeiro: Venezuela rompe relações diplomáticas com Israel em protesto pela situação em Gaza.

- 16 de janeiro: Fica agendado para 15 de fevereiro o referendo sobre reeleição ilimitada, projeto que permitiria a Chávez se candidatar a um terceiro mandato em 2012.

- 7 de fevereiro: Três pesquisas projetam vitória da proposta de reeleição contínua no referendo, com 49% dos votos.

- 9 de fevereiro: Chávez diz que reconhecerá derrota caso perca o referendo e convoca oposição a fazer o mesmo. EFE fr/rd

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