Cronologia da ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza entre 2008 e 2009

Redação Central, 15 set (EFE).- Um comitê da ONU acusou hoje o Exército israelense e a milícia do movimento islâmico palestino Hamas de crimes de guerra após investigar a ofensiva militar de Israel contra a Faixa de Gaza entre dezembro e janeiro últimos, na qual pelo menos 1.

EFE |

300 palestinos morreram.

Em 27 de dezembro de 2008, o Exército israelense empreendeu a operação aérea mais sangrenta contra alvos do Hamas na Faixa de Gaza em 40 anos, em resposta ao contínuo lançamento de foguetes Qassam por parte da milícia palestina contra o sul de Israel e às consequentes rupturas da trégua acordada com os israelenses.

Batizada como "Chumbo Fundido", a ofensiva aérea passou a ser terrestre já na semana de seu início. Dentre os mais de 1.300 palestinos mortos, 417 eram crianças. Outros 5.300 moradores da Faixa de Gaza ficaram feridos, segundo fontes hospitalares palestinas.

Do lado de Israel, os mortos foram 13, incluindo seis militares.

A seguir, uma cronologia da ofensiva israelense ocorrida entre o final de 2008 e o início de 2009, assim como seus desdobramentos:.

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2008.

27 de dezembro: Israel empreende na Faixa de Gaza a operação aérea "Chumbo Fundido" contra alvos do Hamas, na maior ofensiva em 40 anos. Em apenas um dia, a ação deixa 230 mortos.

Na mesma data, o movimento islamita convoca a terceira Intifada e, em resposta, seus milicianos lançam foguetes contra Israel, um dos quais mata uma israelense na cidade de Netivot.

28 de dezembro: Israel bombardeia a Universidade Islâmica, importante símbolo do Hamas, e túneis que comunicam a Faixa de Gaza com o Egito. Ativistas do Hamas respondem com o lançamento de mísseis.

29 de dezembro: A Força Aérea israelense retoma seus ataques, que atingem o Ministério do Interior do Hamas e outros edifícios vinculados ao movimento. As milícias palestinas prosseguem com o lançamento de foguetes contra o sul de Israel e matam três israelenses nas cidades de Askhelon, Nahal Oz e Ashod.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) suspende as negociações de paz com Israel.

31 de dezembro: Israel destrói instalações do Ministério do Interior e do escritório do chefe do Governo do Hamas, Ismail Haniyeh.

2009.

1º de janeiro: Um bombardeio sobre o campo de refugiados de Jabalya mata Nizar Rayyan, um dos principais dirigentes do Hamas, e seus oito filhos. O Hamas lança mais de 40 foguetes contra o sul de Israel.

3 de janeiro: Começa a incursão terrestre israelense. Até o momento, quase 500 palestinos, entre eles 75 crianças, já morreram, e os feridos chegam a 2.300.

4 de janeiro: Dezenas de palestinos morrem no segundo dia de ofensiva terrestre. O Exército israelense, que dividiu o território palestino em dois e cerca a cidade de Gaza, admite uma morte e cerca de 30 feridos em suas fileiras.

5 de janeiro: As tropas israelenses cercam a capital de Gaza e dividem a Faixa em três partes. Três palestinos morrem em um bombardeio israelense contra uma escola das Nações Unidas na cidade de Gaza que atendia mais de 400 palestinos. Outros 23 palestinos, todos civis, morrem em bombardeios em Gaza.

Quatro soldados israelenses são mortos, três deles por fogo amigo, e outros 35 são feridos em Gaza.

6 de janeiro: Quarenta pessoas morrem no bombardeio a uma escola da ONU no campo de Jabalya, o que eleva o número de falecidos para 600 e o de feridos, para 2.600.

A ONU conclui sua terceira reunião sem alcançar um acordo sobre um cessar-fogo, mas consegue do Egito o apoio a um plano de mediação.

7 de janeiro: Sobe para 700 o número de palestinos mortos pela ofensiva israelense, segundo os serviços de emergência da Faixa de Gaza. Desse total, de acordo com a ONU, 25% são civis e quase 100 são crianças.

Israel anuncia que deixará de bombardear durante três horas ao dia para que os palestinos possam receber suprimentos graças a um corredor humanitário, ao mesmo tempo em que aprova a continuação da operação militar, rejeitando a proposta de trégua de França e Egito.

8 de janeiro: Um grupo desconhecido lança foguetes a partir do sul do Líbano contra o norte de Israel, o que eleva a tensão regional pelos combates em Gaza. Os mortos já chegam a 763.

9 de janeiro: O Conselho de Segurança da ONU adota a resolução 1.860, pela qual pede um cessar-fogo a Israel e ao Hamas, que rejeitam a solicitação.

10 de janeiro: Israel intensifica sua ofensiva e mata oito membros de uma mesma família em Jebalia.

11 de janeiro: Israel envia mais reservistas a Gaza, onde os mortos passam dos 900.

12 de janeiro: Sete palestinos, entre eles duas mulheres e duas crianças, morrem em 25 ataques aéreos e por terra, enquanto o Hamas lança mais de dez foguetes sem causar vítimas.

13 de janeiro: Cresce o cerco à capital de Gaza. Israel intensifica seus ataques e mata dois civis, o que eleva para 927 o número de palestinos mortos e o de feridos para quatro mil.

14 de janeiro: Três foguetes disparados a partir do sul do Líbano caem no norte de Israel enquanto o Exército israelense ataca 60 alvos em Gaza e continua estreitando o cerco à capital da Faixa, onde 50 palestinos morreram nas últimas 24 horas.

15 de janeiro: Exército de Israel entra pela primeira vez na capital de Gaza e mata o ministro do Interior do Hamas, Said Siyam, em um bombardeio contra um edifício de três andares.

As forças israelenses também bombardeiam a sede da UNWRA, a agência da ONU que presta assistência aos refugiados palestinos, um hospital do Crescente Vermelho e um centro de imprensa em Gaza.

16 de janeiro: Uma mulher e seus cinco filhos morrem alvejados por tiros disparados de um tanque israelense. Outros 13 civis morrem em outro ataque.

17 de janeiro: Quarto ataque israelense contra instalações da ONU deixa nove palestinos mortos, seis deles em um colégio das Nações Unidas. Israel declara cessar-fogo.

18 de janeiro: Hamas também declara trégua durante uma semana.

Noventa e cinco cadáveres são encontrados sob os escombros de edifícios em Gaza, levando o número de palestinos mortos a passar dos 1.300. As tropas israelenses começam a retirada da Faixa.

15 de julho: Um grupo de soldados israelenses que participou do ataque à Faixa de Gaza denuncia a uma ONG israelense as atrocidades cometidas durante os 22 dias de confronto e a não distinção entre combatentes e civis. EFE msp/bba

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