Cronologia da crise política na Tailândia

Bangcoc - O primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej, acusado de ser o testa-de-ferro do ex-líder Thaksin Shinawatra, deposto no golpe de Estado perpetrado em 2006, declarou hoje o estado de exceção em Bangcoc pelos enfrentamentos que deixaram pelo menos um morto e 40 feridos.

EFE |

O veterano dirigente de 73 anos, que venceu com o Partido do Poder do Povo (PPP) as eleições parlamentares de dezembro que restabeleceram a democracia após o levante, não viveu nem um dia de descanso desde que assumiu a chefia do Governo.

Cronologia da crise política que abala a Tailândia.

-28 de janeiro de 2008: O ultradireitista Sundaravej é eleito primeiro-ministro com mais da metade das 480 cadeiras do Parlamento.

-29 de janeiro de 2008: O rei Bhumibol Adulyadej sanciona a nomeação de Sundaravej.

-6 de fevereiro de 2008: O rei aprova a formação do Governo proposto por Sundaravej, e que incluía políticos da "velha-guarda" e aliados de seu antecessor, Thaksin Shinawatra.

-7 de fevereiro de 2008: A junta militar que perpetrou o golpe de Estado em setembro de 2006 anuncia sua dissolução e admite que o Governo que instalou no poder não conseguiu os objetivos políticos que ela perseguia.

-28 de fevereiro de 2008: Shinawatra retorna a seu país para enfrentar as acusações de corrupção, aproveitando o Governo de seus aliados políticos. O Executivo de Sundaravej lhe devolveu uma semana antes seu passaporte diplomático.

-18 de março de 2008: O ministro do Interior, Chalerm Yubanrung, admite que não sabe como solucionar o conflito separatista islâmico que afeta o sul do país e que deixou mais de 3.000 mortos desde 2004.

-24 de março de 2008: O primeiro-ministro anuncia que pretende substituir a Constituição aprovada em 2007 pelo regime instalado pelos militares pela Carta Magna de 1997, o que gera uma onda de críticas por parte de seus detratores.

-28 de março de 2008: Sundaravej denuncia que os detratores do Governo conspiram para perpetrar um golpe de Estado similar ao realizado pelo militares há 18 meses.

-17 de abril de 2008: O Governo suspende a lei marcial que permanece em vigor em várias províncias do norte e do nordeste do país, redutos do deposto ex-primeiro-ministro Shinawatra.

-21 de maio de 2008: O primeiro-ministro é investigado pela Comissão Eleitoral pela suposta violação da Constituição após ter apresentado um programa na televisão local.

-29 de maio de 2008: O chefe das Forças Armadas, o general Boonsrang Niampradit, não descarta outro golpe de Estado, enquanto cresce a tensão política no país com a iniciativa do Governo de substituir a Constituição.

-18 de junho de 2008: O Partido Democrata, o principal da oposição, apresenta no Congresso moções de censura contra o primeiro-ministro e sete membros do Governo, acusados de governar com interesses partidários.

-20 de junho de 2008: Cerca de 10.000 pessoas pedem a renúncia de Sundaravej em frente à sede do Governo, depois de a Polícia se retirar para evitar enfrentamentos.

-27 de junho de 2008: O primeiro-ministro tailandês supera a moção de censura apresentada pela oposição, em meio a manifestações que há quase um mês pedem sua renúncia.

-7 de julho de 2008: Milhares de pessoas se manifestam em Bangcoc para exigir que a Polícia que deixe de proteger Shinawatra, acusado de corrupção e abuso de poder.

-9 de julho de 2008: O ministro da Saúde, Chaiya Sasomsab, renuncia depois de a Corte Constitucional determinar que ele violou a Constituição ao não ter declarado parte das propriedades de sua esposa ao se incorporar ao Governo.

-10 de julho de 2008: O ministro de Assuntos Exteriores, Noppadon Pattama, renúncia por ter assinado um polêmico acordo sobre a soberania do templo Preah Vihear com o Camboja, que depois foi cancelado pelo Tribunal Constitucional.

-30 de julho de 2008: O Governo de Sundaravej entra em crise depois que um dos maiores partidos da coalizão, o Puea Pandin, anunciar sua saída em resposta às divergências com seus parceiros.

-3 de agosto de 2008: Sundaravej anuncia uma ampla remodelação de seu gabinete com até 11 mudanças de pastas, após a renúncia de três ministros, para tentar resistir a sua crescente impopularidade e aplacar os que exigem sua renúncia.

-11 de agosto de 2008: Shinawatra se exila no Reino Unido, em resposta às ameaças contra sua segurança e o que qualifica de tratamento "injusto" que recebe dos tribunais de seu país que lhe julgam por suposta corrupção. A Suprema Corte da Tailândia dita uma ordem de busca e captura contra o deposto primeiro-ministro.

-22 de agosto de 2008: Sundaravej assinala que seu Governo não solicitará a extradição nem revogará o passaporte diplomático de Shinawatra.

-26 de agosto de 2008: Cerca de 50 ativistas da aliança antigovernamental invadem os estúdios do canal estatal tailandês "NBT" para exigir a renúncia do Governo. Nesse mesmo dia à tarde, centenas de manifestantes tomam a sede do Governo.

-27 de agosto de 2008: Milhares de manifestantes continuam na sede do Governo da Tailândia, depois que durante a madrugada a Polícia tentasse dissolvê-los em uma operação que deixou seis feridos. A Polícia recebe ordens para deter os líderes dos protestos antigovernamentais.

-28 de agosto de 2008: Sundaravej descarta a retirada dos manifestantes à força da sede do Governo para deixar que a Justiça decida pela ocupação.

-29 de agosto de 2008: A Polícia enfrenta grupos de manifestantes antes de abrir passagem até o Palácio do Governo da Tailândia, enquanto os protestos se estendem pelo resto do país e forçam o fechamento de aeroportos de várias cidades.

-30 de agosto de 2008: O primeiro-ministro assegura que não renunciará, apesar da pressão dos protestos.

-31 de agosto de 2008: O Parlamento realiza uma sessão extraordinária a pedido do primeiro-ministro para tentar buscar uma solução pactuada à crise política provocada pelos protestos.

-2 de setembro de 2008: Sundaravej declara o estado de exceção depois de pelo menos uma pessoa morrer e de outras 40 ficarem feridas em enfrentamentos entre políticos contrários.

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