Croatas optam por aproximação com UE e elegem Josipovic presidente

Vesna Bernardic. Zagreb, 10 jan (EFE).- Os croatas elegeram hoje com ampla folga o opositor social-democrata Ivo Josipovic como seu terceiro presidente desde a independência (1991), com o que apostam claramente em uma aproximação com a União Europeia (UE) e o fortalecimento do Estado de direito.

EFE |

Com uma carreira brilhante de jurista e músico como aval, um passado livre de escândalos e um programa claramente pró-europeu e contra a corrupção, Josipovic conseguiu ganhar a confiança dos eleitores mesmo com seu pouco carisma.

A derrota de Milan Bandic, um ex-social-democrata que nesta campanha beijava cruzes e apoiava criminosos de guerra para atrair o apoio da direita, não pôde ser evitada mesmo com o apoio indireto, mas claro, da Igreja Católica.

Trata-se de um acontecimento importante em um país predominantemente católico, no qual gente como Josipovc, que se declara abertamente agnóstico, é uma rara exceção.

Com cinco mil do total de 6.800 colégios eleitorais já apurados, Josipovic conseguiu 61,2% dos votos, enquanto Bandic obteve 38,8% de apoio, segundo a Comissão Eleitoral Estatal.

Os resultados oficiais completos são esperados para a madrugada de hoje na Croácia, quando as primeiras declarações dos dois candidatos devem ser dadas.

Mirando Mrsic, chefe da equipe eleitoral de Josipovic, comentou que o bom resultado mostra que "as eleições foram em certo modo um plebiscito no qual se elegia entre uma Croácia europeia e moderna e uma Croácia diferente" que, segundo ele, o povo não quer lembrar.

Josipovic, de 52 anos, prometeu na campanha ajudar o Governo a combater a corrupção, problema que identificou, da mesma forma que a Comissão Europeia (órgão executivo da UE), como crucial num país que espera terminar as negociações de acesso à UE durante a Presidência espanhola e entrar no bloco em 2012.

Na campanha, destacou seu conhecimento do problema, já que como jurista é autor de duas leis adotadas recentemente que facilitam a luta contra a corrupção e a pena a seus responsáveis.

O novo líder comandará o país com a primeira-ministra Jadranka Kosor (conservadora), no poder desde a renúncia do ex-chefe da União Democrática Croata (HDZ), Ivo Sanader, em julho, em meio a uma série de escândalos de corrupção.

Josipovic prometeu que sua primeira tarefa como presidente será uma reunião com Kosor para definir em comum os passos concretos a dar para combater de forma mais eficaz a corrupção.

Anunciou ainda que, após Bruxelas, sua prioridade será a política com os vizinhos nos Bálcãs e o desenvolvimento de boas relações, incluindo a promoção de projetos econômicos conjuntos para o exterior.

O presidente eleito promete atenção estrita ao acordo de arbitragem sobre a delimitação fronteiriça no mar Adriático, que Kosor alcançou em novembro passado com o Governo da Eslovênia.

A Croácia terá que enfrentar em 2010 uma difícil situação econômica, com uma incerta saída da recessão após a queda de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009.

Está previsto também um aumento do desemprego, para 15%, ao mesmo tempo em que a dívida externa pode alcançar 100% do PIB. EFE vb/rr

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