Croácia elege amanhã presidente que vai guiar país até a UE

Vesna Bernardic. Zagreb, 26 dez (EFE).- O candidato da oposição Ivo Josipovic, que pertence ao Partido Social-Democrata (SDP) da Croácia, é o grande favorito na corrida eleitoral pela Presidência do país, que terá de vencer a corrupção para ingressar na União Europeia (UE).

EFE |

Segundo as últimas pesquisas, o principal adversário de Josipovic na disputa é o político independente e populista Milan Bandic.

Prefeito da capital Zagreb, ele provavelmente enfrentará o candidato social-democrata no segundo turno, previsto para 10 de janeiro.

Para os croatas, a corrupção é o principal problema do país. E o combate eficaz a estas práticas é um dos principais requisitos que Bruxelas impõe para entrada da Croácia na UE.

Por isso, a luta contra este mal foi uma das promessas mais repetidas durante a campanha eleitoral, embora, com exceção de Josipovic, de 52 anos, professor de Direito, deputado e compositor, quase todos os candidatos tenham se envolvido em algum caso de corrupção, muitas vezes não provado, mas também não bem esclarecido.

A Croácia espera chegar ao fim do próximo semestre, durante o qual a UE vai ser presidida pela Espanha, com as negociações para seu ingresso no bloco já concluídas.

Na sondagens, Josipovic aparece em primeiro, com 29% das preferências, seguido de Bandic, que tem 17% das intenções de voto.

Em um eventual segundo turno, as pesquisas voltam a colocar Josipovic à frente.

Contra sua candidatura, Bandic tem um episódio ocorrido em 2000, quando estava em seu primeiro mandato como prefeito. Nesse ano, ele provocou um acidente de trânsito estando bêbado e fugiu do local. Já o policial que o denunciou perdeu o emprego pouco tempo depois.

Quando tudo veio à tona, a injustiça foi corrigida e Bandic renunciou, o que, no entanto, não o impediu de ser eleito prefeito outras duas vezes, mesmo estando envolvido em outros escândalos.

O último deles se remonta à última quinta-feira, quando a Comissão Eleitoral constatou que Bandic não apresentou corretamente seus gastos de campanha.

Ex-membro do SDP, o populista agora é apoiado por eleitores da direita e da sua Herzegovina natal, onde, por uma anomalia eleitoral, também será possível votar.

Mas quem pode roubar de Bandic um lugar no segundo turno é o economista Nadam Vidosevic, cujo carisma foi ofuscado pela forma pouco transparente com a qual virou dono de uma série de imóveis enquanto ocupava cargos públicos.

Menos chances de disputar a Presidência com Josipovic tem Andrija Hebrang, candidato da conservadora União Democrática Croata (HDZ), professor de Medicina e ex-ministro da Saúde. De personalidade rígida, ele teve sua popularidade abalada pelos casos de corrupção que lhe são atribuídos no Governo da HDZ, no poder desde 2003.

Desde que a atual primeira-ministra, Jadranka Kosor, sucedeu Ivo Sanader em julho como chefe de Governo e líder da HDZ, vieram à tona inúmeros escândalos de corrupção em várias companhias estatais.

Por causa desses casos, foram detidos o ex-ministro da Defesa Vladimir Roncevic e uma série de gerentes de empresas públicas. Além disso, o então vice-chefe de Governo Damir Polancec teve que renunciar e surgiram indícios de que a investigação poderia chegar a Sanader.

A imprensa e a oposição, no entanto, acham que a permanência no Governo do ministro dos Transportes, Bozidar Kalmeta, apesar de uma série de escândalos recentes em estatais do setor - incluindo várias tragédias -, mostra que Kosor não tem força suficiente para zerar as contas com a "alta corrupção".

O cargo de presidente, com um mandato de cinco anos, é bastante representativo na Croácia, onde o chefe de Estado é o comandante das Forças Armadas e tem poderes para controlar o serviço secreto e participar de decisões em política externa.

No que se refere à corrupção, e como mostrou até agora o presidente Stjepan Mesic, o chefe de Estado não tem poderes diretos, mas por seu prestígio pode atuar como um importante elemento "corretivo" no país. EFE vb/sc

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