Críticos e 225 mil peregrinos esperam por Bento XVI na Austrália

Mónica Garriga Sydney (Austrália), 11 jul (EFE).- Cerca de 225 mil peregrinos da 23ª Jornada Mundial da Juventude esperam a chegada do papa Bento XVI a Sydney, da mesma forma que a Coalizão NoAlPapa, que protestará pela posição da Santa Sé sobre homossexuais, aborto e aids.

EFE |

Jovens de todos os cantos do mundo, incluindo o jovem país lusófono Timor-Leste, já embarcaram rumo à Austrália para o que consideram que será uma experiência única com o pontífice.

Esta será a nona viagem internacional de Bento XVI, a primeira à Austrália e que começa neste sábado, com o embarque do papa no Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci, em Roma, rumo a Sydney, por ocasião da 23ª Jornada Mundial da Juventude.

"Estou ansiosa para ver o papa", afirmou a alemã Ana, que está entre os 125 mil estrangeiros que, junto com 100 mil australianos, participarão dos eventos previstos para o grande evento católico.

Raças e cores distintas, mas sob uma mesma fé, buscam acomodação em hotéis, albergues, acampamentos e até ranchos e fazendas. Alguns casarões de interior hospedarão centenas de pessoas.

"Estive na Jornada Mundial da Juventude na Alemanha há três anos e foi uma experiência maravilhosa. Meu sonho era vir para a Austrália", explicou o tcheco Jan Kratochvila, que viajou acompanhado de sua compatriota Jana Rousova.

A Coalizão NoAlPapa, fundada recentemente contra a posição da Igreja Católica frente aos homossexuais, ao aborto e à aids, destacará sua presença na Austrália com vários atos, como uma manifestação no dia 19 que prevê a distribuição de preservativos aos peregrinos.

O grupo Broken Rites, de apoio a vítimas de abusos sexuais da Igreja Católica, participará do ato, e pedirá a Bento XVI que ofereça uma desculpa pessoal aos jovens que foram violentados, como fez durante sua viagem aos Estados Unidos em abril último.

A sociedade australiana se encontra especialmente sensibilizada com esse tema depois de a rede de televisão local "ABC", uma das líderes de audiência, ter apresentado documentos que o arcebispo de Sydney, George Pell, encobriu em 2003 e que envolviam um sacerdote acusado de praticar abusos sexuais.

Pell teve de se distanciar dos preparativos da visita papal para defender-se dos ataques da imprensa, embora tenha admitido que os documentos apresentados pela emissora de TV são "embaraçosos".

Afirmou também que cometeu um erro ao escrever uma carta a uma suposta vítima para dissuadi-la de comparecer aos tribunais porque, segundo disse, suas denúncias não teriam valor na Justiça.

As autoridades australianas não prevêem graves tensões e distúrbios por ocasião da Jornada Mundial da Juventude e os protestos que estão sendo organizados, mas como medida preventiva outorgaram à Polícia poderes especiais.

Se alguma pessoa "incomodar" ou "molestar" um participante na Jornada Mundial da Juventude, a Prefeitura poderá impor a ele o pagamento de multa de US$ 1 mil. A pena pode chegar a US$ 5.300 caso seja exibida uma mensagem anticatólica.

A Coalizão NoAlPapa desafiará a disposição legal com camisetas que levarão escritas frases como "O Papa está errado, ponha um preservativo!".

Os organizadores da Jornada Mundial da Juventude disseram que as restrições impostas por autoridades locais a eventuais protestos não foram solicitadas.

O sacerdote católico e advogado Frank Brennan chegou a condená-las publicamente "por serem uma interferência odiosa" contra as liberdades civis e contrária às doutrinas católicas sobre direitos humanos. EFE mg/fr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG