Criticado por caso Jean Charles, comissário-chefe da Scotland Yard renuncia

Londres, 2 out (EFE).- O comissário-chefe da Scotland Yard, Ian Blair, criticado por sua gestão na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, apresentou hoje sua renúncia em Londres.

EFE |

Blair viveu meses sob pressão devido a seu questionado trabalho e chegou a admitir que não contava com o apoio do prefeito de Londres, Boris Johnson.

"Não acredito que possa continuar no cargo sem o apoio do prefeito", disse Blair.

O comissário-chefe também foi acusado recentemente de discriminação racial por um comissário adjunto de origem asiática e investigado por usar dinheiro público para contratar um amigo para ajudar a melhorar sua imagem.

Blair explicou que Johnson havia falado ontem "gentilmente, mas decidido", que desejava uma "mudança" no comando da Polícia Metropolitana de Londres (Met).

"Não estou renunciando por nenhuma falha minha em serviço nem porque as pressões do cargo e as muitas histórias que o rodeiam sejam demais. Estou renunciando pelo interesse da população de Londres e do serviço da Met", afirmou.

Blair, que deixará o cargo em 1º de dezembro, assumiu o cargo em fevereiro de 2005 e foi muito criticado por sua gestão no caso Jean Charles, o jovem brasileiro morto a tiros em 22 de julho daquele ano por dois agentes da Met que o confundiram com um terrorista.

Horas após o tiroteio na estação de metrô de Stockwell, no sul da capital britânica, Blair afirmou que o caso estava "diretamente relacionado" com as operações antiterroristas de 21 de julho. Um dia depois, mudou sua versão, admitindo que os agentes tinham matado um inocente e pediu desculpas publicamente.

A família de Jean Charles sempre acusou Blair de mentir sobre a morte do brasileiro, assunto atualmente a cargo de uma investigação pública em Londres, que está revisando a atuação da Polícia no trágico acontecimento.

A pressão sobre Blair aumentou depois que a Met foi declarada culpada em novembro de 2007 de descumprir uma lei de prevenção de riscos trabalhistas no caso Jean Charles, inclusive por parte de Johnson, que repetidamente se recusou a apoiar publicamente o comissário-chefe.

Johnson, que se tornou ontem presidente da Autoridade da Polícia Metropolitana (PMA, em inglês) e também no primeiro prefeito a assumir o cargo, pediu que o comissário-chefe da Scotland Yard responda perante a Prefeitura.

Já o comissário adjunto Tarique Ghaffur, de origem asiática, apresentou a uma corte da Justiça do trabalho um processo no qual acusa Blair de submetê-lo a tratamentos "humilhantes e degradantes" e de tentar contestar sua autoridade.

A pressão aumentou depois que a imprensa britânica revelou hoje que Blair concedeu um contrato à empresa de um amigo para ajudá-lo a melhorar sua imagem.

A empresa Impact Plus, de Andy Miller, assessorou Blair, então vice-comissário-chefe, sobre como fazer a transição quando assumisse a chefia da Scotland Yard e o aconselhou várias vezes em questões de comunicação e liderança, revelou hoje o tablóide "Daily Mail". EFE ep/wr/plc

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