Crítica aos ricos, Cristina vai a Washington em defesa da A.Latina

Buenos Aires, 14 nov (EFE).- A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, vai à Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) em Washington com uma posição crítica em relação a nações desenvolvidas e com a intenção de defender os interesses da América Latina.

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A realização da cúpula do G20 coincide com a polêmica em torno da reforma do sistema de aposentadorias impulsionada por Cristina, que pede a transferência ao Estado de ativos hoje nas mãos de fundos de pensão privados.

Segundo fontes oficiais, Cristina pedirá que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e organismos multilaterais abram linhas de crédito que não estejam condicionadas ao cumprimento de metas econômicas, como é praxe.

A governante também defenderá a necessidade de que os países em desenvolvimento tenham maior peso no FMI.

As fontes assinalaram também que tais posições foram pactuadas com o Brasil, que atualmente está à frente das conversas do G20 em temas financeiros e é o principal parceiro comercial da Argentina.

O consenso entre argentinos e brasileiros foi alcançado na reunião ministerial do Mercosul - formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - realizada na semana passada em Brasília.

Nas últimas semanas, o Governo Cristina endureceu os controles alfandegários e de comércio exterior dentro de uma política protecionista não compartilhada pelo Brasil, um dos países do continente que permitiu uma forte desvalorização de sua moeda diante da crise financeira global.

Cristina disse que serão os americanos, e não os argentinos, que "precisarão de um plano B", caso não dê resultados o programa idealizado pelo Governo Bush na tentativa de frear a crise financeira.

"A economia argentina tem uma forte solidez, com contas muito ordenadas e uma economia muito real. Nossa gente não está endividada financeiramente. Temos algumas das porcentagens de endividamento mais baixas", ressaltou.

A governante condenou em várias ocasiões as "receitas" neoliberais do FMI e considera que "esse Primeiro Mundo" dos países desenvolvidos que fora "pintado como meta, cai agora como uma bolha".

Analistas concordam que em 2009 a Argentina deixará para trás o ritmo de crescimento de 8,5% anual de média que teve há cinco anos, devido ao impacto da crise financeira e a debilidades econômicas aguçadas pela queda dos preços internacionais de grãos e alimentos em geral.

Pelo menos 150 mil trabalhadores argentinos, a maioria do setor alimentício, automobilístico e de construção, foram demitidos, suspensos ou obrigados a tirar férias de forma antecipada.

Cristina e uma grande comitiva vão à cúpula do G20 no momento em que um juiz de Nova York mantém um embargo aos investimentos de pensões argentinas no valor de US$ 2 bilhões, a pedido de credores de bônus soberanos em moratória desde 2001, que não aceitaram o refinanciamento de 2005.

A Argentina, que há dois anos declarou independência do FMI ao cancelar dívidas com o organismo de US$ 9,5 bilhões, deve enfrentar em 2009 vencimentos de bônus de US$ 20 bilhões e calcula-se que até agora esteja em condições de reunir apenas metade desse montante.

EFE alm/rr/mh

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