Cristina tenta reverter pouca importância de Kirchner à política externa

Buenos Aires, 25 dez (EFE).- O Governo de Cristina Fernández de Kirchner fez grandes esforços este ano para impulsionar as relações da Argentina com seus vizinhos e reverter a pouca importância dada à questão por seu marido, Néstor Kirchner.

EFE |

No entanto, os esforços de Cristina se depararam com a sucessão de conflitos internos que enfrentou ao longo de 2008, seu primeiro ano de gestão, disseram analistas à Agência Efe.

"É necessário projetar outra imagem da Argentina", tinha afirmado Cristina em outubro de 2007, pouco após vencer as eleições com 45,2% dos votos, o que fez com que assumisse o poder, em dezembro desse ano, como a primeira mulher eleita para ocupar a Presidência e suceder o marido.

No entanto, o conflito que, entre março e julho, opôs o Governo com o campo e as controvérsias com os Estados Unidos e outros países afetaram a política externa argentina e obrigaram a presidente a suspender viagens ao exterior, indicou o analista Roberto Bacman.

Segundo os analistas, o primeiro golpe recebido por Cristina em matéria de política externa foi o chamado "Caso da Mala", que afetou a instável relação com os Estados Unidos.

O episódio teve origem em agosto de 2007, quando o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson foi detido em um aeroporto de Buenos Aires com uma mala contendo US$ 800 mil não declarados procedentes da Venezuela, os quais seriam destinados à campanha da governante.

A relação com o Governo de Hugo Chávez foi afetada após a decisão da Venezuela de liquidar bônus da dívida argentina adquiridos a um "alto custo", o que causou desconfiança entre os investidores e obrigou a Administração de Cristina a iniciar um plano de resgate de títulos.

"Cristina não mudou a política externa de Kirchner, cujo objetivo era que a Argentina ficasse em um ponto intermediário oscilante entre Brasil e Venezuela. Visitou alternativamente Caracas e Brasília, buscando neutralizar, com a primeira, a inevitável liderança regional da segunda", apontou o analista Rosendo Fraga.

A líder argentina, no entanto, não deixou de lado o forte vínculo comercial com o Brasil, e passou a se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cada seis meses.

O governante também adiou este ano uma viagem oficial à Espanha, no meio das tensões que provocaram o fracasso nas negociações com o grupo espanhol Marsans para a transferência ao Estado da Aerolíneas Argentinas e suas subsidiárias, cuja desapropriação foi aprovada dias atrás pelo Parlamento.

Houve também uma polêmica em torno da nacionalização dos fundos de pensão privados, estabelecida em novembro por um projeto do Governo, que afetou negativamente os mercados espanhóis.

Cristina também não escapou à relação que seu marido manteve com o Vaticano nem às tensões com o Uruguai pela instalação de uma fábrica de produção de celulose da finlandesa Botnia nesse país.

No entanto, ela tentou este ano, manter boas relações regionais, com viagens ao Chile, onde a União de Nações Sul-americanas (Unasul) analisou a crise política na Bolívia, e a El Salvador, onde ocorreu a última Cúpula Ibero-Americana.

Também assistiu à Cúpula do Grupo do Rio em Santo Domingo para debater a crise entre Equador e Colômbia, e foi à cúpula financeira do Grupo dos Vinte (G20, que reúne as nações mais ricas e principais emergentes) em Washington, onde qualificou a crise global como "o fim de um ciclo histórico e político".

A governante argentina também viajou a Costa do Sauípe, na Bahia, para participar de reuniões de líderes latino-americanos e caribenhos.

Além disso, reforçou sua agenda exterior econômica com viagens à frente de grupos de empresários para visitar países do norte da África e da Rússia, onde a estatal Enarsa selou um acordo estratégico com a companhia petrolífera russa Lukoil. EFE ms/db

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