Cristina Kirchner se sente bem após cirurgia, diz porta-voz

Presidente argentina submeteu-se na quarta-feira à operação para retirada de glândula tireoide afetada por câncer

iG São Paulo |

A presidenta argentina, Cristina Kirchner, de 58 anos, sente-se bem nesta quinta-feira e começou a caminhar e a se alimentar depois de ter passado por uma cirurgia de três horas para retirar a glândula tireoide afetada por um câncer, disse um porta-voz do governo.

Cirurgia: Cristina Kirchner é operada para retirada de tumor

AP
Boneco do ex-presidente Néstor Kirchner, morto em 2010, segura faixa em que se lê 'Aguenta, morena' do lado de fora de hospital onde líder argentina foi operada
Cristina, que começou no mês passado seu segundo mandato de quatro anos, foi operada com sucesso na quarta-feira. "Os controles clínicos e de laboratórios realizados estão dentro dos parâmetros normais. A presidenta da nação descansou normalmente durante a noite, começou a se alimentar, caminhar e está se sentindo muito bem", disse o porta-voz Alfredo Scoccimarro.

A presidente, cujo anúncio da doença comoveu o país, ficará internada até pelo menos sexta-feira e ficará de licença até 24 de janeiro. O vice-presidente Amado Boudou assumiu provisoriamente o cargo de chefe de Estado.

Sem permitir que os jornalistas fizessem perguntas, o porta-voz leu um boletim médico na frente do hospital Austral, um dos mais avançados do país, em que se afirmou que  "os controles clínicos e os estudos de laboratório realizados se encontram dentro dos parâmetros normais". A equipe médica que cuida de Cristia é liderada pelo cirurgião Pedro Saco.

As boas notícias sobre a evolução da presidenta foram recebidas com aplausos e gritos de "bravo" por dezenas de simpatizantes que se encontram desde quarta-feira nas imediações do hospital, localizado a cerca de 60 km de Buenos Aires.

O acesso ao local está cheio de bandeiras argentinas, cartazes e fotografias de Cristina e de seu marido e antecessor, Néstor Kirchner. Além disso, foram improvisados altares com imagens de Cristo e Nossa Senhora de Luján, patrona da Argentina.

O câncer de tireoide, que não requer quimioterapia, tem uma chance de recuperação superior a 90% e é tratado com cirurgia e iodo radioativo. Após a operação, Cristina terá de tomar hormônios para o resto da vida para suprir a carência da glândula, mas poderá ter uma vida normal.

Apesar da discrição com que todo o procedimento médico foi realizado, nas últimas horas os meios de comunicação argentinos revelaram alguns segredos sobre a intervenção.

Cristina ocupa o quarto 217 do hospital Austral, que disponibilizou vários cômodos contíguos para que os filhos da presidente, Máximo e Florencia, sua mãe, Ofelia Wilheim, e sua irmã, Giselle Fernández, pudessem descansar.

Além disso, a equipe médica passou a noite anterior num hotel perto do hospital protegidos pela segurança presidencial, e seus membros tiveram de assinar um documento de confidencialidade. Pedro Saco "não estava nervoso, mas sentia que era uma grande responsabilidade operar a presidenta", disse Ricardo Kirchuch, médico que acompanhou o cirurgião durante a operação.

Dirigentes peronistas e membros do governo respeitaram os desejos de intimidade expressados pela líder e por seus dois filhos e se informaram sobre os acontecimentos apenas por telefone. Nem mesmo o vice-presidente foi ao hospital, que continua protegido por um forte aparato de segurança.

Flores e mensagens de otimismo foram enviadas à Casa Rosada, ao hospital e à residência presidencial por simpatizantes, opositores e dirigentes da América Latina. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que também se recupera de um câncer , enviou na quarta-feira um enorme orquídea fúcsia e violeta, enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou por carta sua alegria pelo êxito da operação .

Saiba mais: Com Cristina Kirchner, câncer atinge sexto líder da América Latina

Nos EUA, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, manteve-se informada sobre a evolução de Cristina. O ex-craque Diego Maradona manifestou seu contentamento com o sucesso da cirurgia e disse que dedicaria à presidenta as vitórias do time que dirige nos Emirados Árabes, o Al Wasl.

*Com EFE e Reuters

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