Cristina Kirchner quer voos argentinos para as Malvinas

Voos do continente americano para as ilhas são da chilena LAN; Parlamento britânico estuda proibir uso de emblema das Malvinas por atletas argentinos

iG São Paulo |

A presidente argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta quinta-feira a intenção de estabelecer voos entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas , e que para isso tentará renegociar o atual acordo aéreo com a Grã-Bretanha.

A presidente anunciou que deu instruções a seu gabinete para que a Aerolíneas Argentinas tenham três voos semanais de Buenos Aires a capital das Malvinas – chamada de Stanley pelos britânicos e de Puerto Argentino pelos argentinos -, que atualmente recebe do continente americano apenas aviões da chilena Lan procedentes de Punta Arenas, no Chile.

EFE
Presidente argentina e seu vice, Amado Boudou, na abertura das sessões do Congresso
"Vamos solicitar negociações para termos (...) voos partindo da Argentina continental - Buenos Aires - para as ilhas em nossa companhia de bandeira, a Aerolineas Argentinas", disse a presidente em seu discurso anual do Estado da União, no Congresso Nacional. "Não estamos aqui para prejudicar nenhuma comunidade (...). Queremos demonstrar que nos interessa que se cumpram as resoluções da ONU", disse Kirchner sobre a disputa entre Argentina e Reino Unido pela soberania das ilhas.

A presidente admitiu que os argentinos estão "cansados da humilhação" e voltou a criticar a "militarização" das ilhas, onde há um soldado para cada três civis.

A Argentina "é um país feito por imigrantes, sou neta de imigrantes, mas antes de tudo uma argentina que não pode permitir que haja enclaves coloniais", acrescentou. "Vamos continuar sendo gente de paz, mas que defende seus direitos", destacou a governante ao falar perante o Legislativo.

Acordo

Os dois países, que disputam a posse das ilhas no Atlântico Sul, assinaram no final da década de 1990 um acordo que autoriza a empresa chilena LAN a oferecer voos diários do Chile para as Malvinas. Em 1999, o então presidente da Argentina Carlos Menem assinou com o primeiro-ministro britânico Tony Blair um acordo de comunicações pelo qual a Argentina permitiu o uso de seu espaço aéreo para que a companhia aérea chilena Lan realizasse voos às Malvinas.

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Em virtude do acordo, a Lan opera um voo semanal a Malvinas que parte de Santiago, realiza escala na cidade chilena de Punta Arenas e aterrissa no aeroporto militar britânico de Mount Pleasant, a 48 km das Malvinas. Os voos semanais da LAN atualmente fazem escala uma vez por mês em Río Gallegos, no sul da Argentina, uma exceção autorizada para que veteranos de guerra argentinos e parentes dos soldados mortos no conflito possam visitar as ilhas.

O voo da linha aérea chilena é a única conexão das Malvinas com a América do Sul e o principal meio de saída para o exterior para os 2.913 habitantes do arquipélago. Além desses vôos, há outros seis mensais para as ilhas que partem do Reino Unido.

Disputa

A disputa entre Argentina e Reino Unido voltou a causar tensões nos últimos meses, às vésperas do 30º aniversário da guerra entre os países, iniciada no dia 2 de abril de 1982.

Nos últimos anos, a Argentina se queixa da prospecção de petróleo e gás por empresas britânicas nos arredores das ilhas. Neste mês Buenos Aires reclamou na ONU da suposta "militarização" britânica do Atlântico Sul, e ambos os países têm trocado acusações de "colonialismo".

Na segunda-feira, autoridades provinciais da Terra do Fogo, no sul da Argentina, proibiram dois navios britânicos de atracarem em seus portos quando vinham das Malvinas. Na noite da terça-feira, o governo argentino pediu aos empresários do país que não importem produtos do Reino Unido , substituindo os itens britânicos por similares de outras procedências.

Jogos Olímpicos

Também nesta quinta-feira, membros do Parlamento britânico anunciaram que será avaliada a necessidade de adota medidas para impedir que as delegações nacionais que participarão dos Jogos Olímpicos de Londres ostentem "logotipos inapropriados", ao se referir ao uso do emblema das Malvinas por atletas argentinos.

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A hipótese foi levantada depois que uma deputada argentina propôs que a equipe de seu país colocasse uma imagem das ilhas Malvinas ao uniforme dos atletas.

O líder da Câmara dos Comuns do Parlamento, George Young, afirmou que debaterá a questão com o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres (LOCOG), Sebastian Coe.

Um porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, havia informado anteriormente à câmara que Downing Street não tinha uma posição fixa sobre o assunto.

O plano argentino para incluir uma imagem das ilhas Malvinas em seu uniforme olímpico foi lançado no final do ano passado por Rosana Bertone, deputada da coalizão Frente Para a Vitória, liderada pela presidente Cristina Kirchner.

*Com Reuters e EFE

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