A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta sexta-feira que enviará ao Congresso Nacional, na próxima segunda-feira, um projeto de lei antecipando para o dia 28 de junho as eleições legislativas no país, que estavam marcadas para outubro.

"Seria suicida dedicar meses a uma campanha eleitoral quando o mundo cai aos pedaços com a atual crise", disse Cristina.

A presidente afirmou ainda que este é um momento de "manter a calma" e também pediu a todas as províncias que antecipem suas eleições legislativas - cada província marca a eleição de acordo com sua Constituição local.

O anúncio surpreendeu políticos de diferentes tendências e dividiu opiniões. "A decisão mostra fraqueza do governo", disse o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, que é da oposição.

Na última quinta-feira, Macri também havia anunciado a antecipação do pleito legislativo municipal - que também seria em outubro - para o próximo mês de junho.

Para o senador opositor Gerardo Morales, da União Cívica Radical (UCR), a iniciativa do governo "rompe as regras constitucionais e políticas".

Constituição

Segundo analistas, a decisão de Macri e a derrota do kirchnerismo nas eleições legislativas na Província de Catamarca, no último domingo, 8 de março, foram "decisivos" para o anúncio da presidente.

"Estes dois fatos e a crise econômica internacional levaram a presidente a tomar essa decisão. Além disso, o governo tem números reservados que mostram que a economia está bem no primeiro semestre, mas que deixam dúvidas sobre o segundo semestre. O governo calculou que uma campanha eleitoral nesse clima poderia não ser positiva para a governabilidade", disse Gustavo Sylvestre, comentarista do canal de televisão TN (Todo Noticias).

Já o advogado constitucionalista Félix Loñ afirmou que, caso o Congresso não avalie o projeto rapidamente, a determinação constitucional que permite mudanças nas regras eleitorais até no máximo três meses antes do pleito pode não ser respeitada.

"Temos de estar atentos, ou aqui não se respeitará a Constituição", afirmou.

Apoio

Governadores e parlamentares da base governista (Frente para a Vitória - FPV) e outros setores do peronismo apoiaram a iniciativa do governo.

"A prudência e a responsabilidade levaram a presidente a adotar esta medida. Isso é muito importante para o país", afirmou o deputado federal José Maria Díaz Bancalari, da FPV.

"Vamos ter os votos necessários para aprovar o projeto do governo. O país precisa sair dessa maratona de eleições nessa hora de crise internacional", acrescentou o senador Miguel Picheto (FPV).

Mas a aprovação pode não ser tão simples, já que a base governista não está completamente unida. Nos últimos tempos, parlamentares que apoiavam o governo começaram a criar grupos dissidentes do kirchnerismo - força política que chegou ao poder em 2003, com a eleição do ex-presidente Nestor Kirchner, marido e antecessor de Cristina e atualmente presidente do Partido Justicialista (PJ, peronismo).

Mas segundo o analista político do jornal La Nación , Joaquín Morales Solá, as dificuldades do kirchnerismo somam-se a uma oposição "que também não está forte" neste ano de eleições.

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