Cristina Kirchner pede renúncia do titular do Banco Central

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu, nesta quarta-feira, a renúncia do presidente do Banco Central do país, Martín Redrado, segundo informou o ministro da Economia, Amado Boudou. Redrado disse várias vezes à presidente que seu cargo estava à sua disposição.

BBC Brasil |

Hoje, o chefe de Gabinete (chefe da Casa Civil), Aníbal Fernández, ligou para ele e disse que a presidente aceitava, então, sua renúncia", afirmou Boudou em entrevista à imprensa.

Em entrevista à rádio argetina Diez, Fernández justificou a medida e afirmou que Redrado teria "deixado de cumprir com os deveres públicos" ao rejeitar um decreto assinado pela presidente em dezembro, que criava um fundo com reservas do BC.

Fernández se referia ao chamado "Fundo Bicentenário", que marcaria o bicentenário de independência do país neste ano e que estabeleceu a criação do fundo de US$ 6,5 bilhões com recursos do Banco Central.

Redrado não fez declarações públicas sobre a medida, mas, segundo assessores, ele seria contra a liberação dos recursos, que serviriam para pagamento das dívidas externas do país.

Substituição
Além do pedido de renúncia para o atual titular do BC, Amado Badou anunciou ainda que, por orientação da presidente, telefonou para o economista Mario Blejer, ex-presidente do Banco (2002), e que este teria aceitado o cargo.

"Blejer disse que aceita trabalhar conosco", disse.

Minutos mais tarde, no entanto, o site do jornal econômico El Cronista informou que Blejer teria desistido, já que Redrado continuava no posto.

Na Argentina, o Banco Central é independente desde 1994 e seu presidente designado pelo Senado. Por essa razão, Cristina não poderia demitir o presidente da instituição.

"A presidente não pode demitir o presidente do Banco Central. Pela regra em vigor, ela deveria mandar este pedido ao Congresso. O mandato de Redrado começou em 2003 e só termina em setembro deste ano", disse o senador opositor Ernesto Sanz, da União Cívica Radical (UCR).

Esta demissão, de acordo com o também senador opositor Gerardo Morales, da UCR, só poderia ser realizada "por má conduta" ou "processo político" contra o presidente da autoridade monetária.

Política
O governo de Cristina Kirchner apoia a criação do fundo com reservas do BC para o pagamento da dívida externa.

"Com a criação do Fundo Bicentenário estamos dando o melhor aproveitamento possível às reservas que sobram do Banco Central", afirmou Boudou.

Segundo ele, a autoridade monetária contava com US$ 8 bilhões quando o ex-presidente Nestor Kirchner chegou à Presidência, em 2003, e hoje são US$ 48 bilhões.

"Este resultado está ligado à política econômica do país e não a nomes (de presidentes do BC). Nossa política de acumulação de reservas, câmbio competitivo e geração de empregos será mantida, independentemente de nomes", disse o ministro da Economia.

De acordo com diferentes economistas, o governo teria optado pelas reservas por "não ter acesso" ao mercado financeiro internacional desde 2001, quando o país declarou default da sua dívida e deveria pagar taxas de juros altas para conseguir estes recursos.

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