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Cristina Kirchner pede união da AL para enfrentar crise

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse, nesta segunda-feira, que a solução para os efeitos da crise financeira internacional nos países da América Latina deve partir de iniciativas dos próprios líderes políticos desta região. Devemos trocar idéias, unir esforços, instrumentos, recursos e neurônios para superar (juntos) a crise financeira internacional, disse.

BBC Brasil |

Cristina discursou ao lado do presidente do México, Felipe Calderón, que visita a Argentina até esta terça-feira, acompanhado por uma comitiva empresarial.

A presidente não deu detalhes de como poderia funcionar essa união de forças contra os efeitos da turbulência financeira, mas insistiu na proposta nos dois discursos que realizou, em diferentes cerimônias, ao lado de Calderón.

"Nós, dos países emergentes, devemos unir recursos e idéias para enfrentar essa crise, para que não sejam nossos povos os que paguem por esta crise que começou em outro lugar".

Calderón, por sua vez, destacou que é hora de se fortalecer o Grupo do Rio e que ele e Cristina conversaram sobre a (necessidade de) reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas - "base para maior integração", afirmou, sem entrar em detalhes.

Segundo Cristina, se a solução para os efeitos da crise internacional não sair da região, não sairá de outro lugar.

Afônica, ela defendeu a política econômica do governo anterior - de seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner - e também da sua atual gestão.

"Reservas recordes no Banco Central, superávit fiscal e superávit comercial, reativação da indústria, construção de 300 mil casas populares e melhora na matriz energética", enumerou.

Cristina ainda ressaltou: "É importante que cada país desenhe seu próprio modelo econômico. Não precisa se isolar. No nosso caso, por exemplo, as exportações também subiram".

As declarações de Cristina foram feitas quatro dias após o Senado ter aprovado o projeto do governo de estatização da previdência privada, gerando críticas de empresários e economistas, que temem pelo aumento da desconfiança dos investidores e o isolamento do país no cenário internacional.

"Na crise de 2001, a confiança dos argentinos despencou e até hoje a sociedade ainda não confia no sistema bancário", disse.

Após a crise vivida, há quatro meses, com o setor rural e o anúncio da nacionalização da previdência privada, os argentinos aumentaram seus saques bancários, de acordo com diferentes consultorias locais.

FMI
Mas a presidente não se referiu diretamente a estas informações. Em um dos discursos, ela voltou a criticar os organismos multilaterais de crédito.

"O FMI (Fundo Monetário Internacional) queria que aplicássemos a mesma receita que nos levou à crise de 2001", afirmou.

A presidente ainda afirmou que "parte da crise" internacional ocorreu por se acreditar que "um só" (país) poderia "resolver tudo", tanto na área comercial, como econômica e de segurança.

"Não se trata de acusar ninguém, mas de defender nossos interesses".

Câmbio
Já o ministro da Economia, Carlos Fernández, em discurso para empresários nesta segunda-feira, afirmou que a Argentina não entrará em recessão em 2009, como apontam diferentes economistas. Mas ressalvou que espera "ajuda" dos industriais para que sejam superados efeitos do terremoto financeiro internacional.

Segundo ele, estes efeitos na Argentina poderão ocorrer através da "desvalorização cambial nas economias dos sócios comerciais e através da desaceleração da atividade econômica nos países desenvolvidos".

As declarações foram feitas em um encontro da União Industrial Argentina (UIA), onde industriais pediram a desvalorização do peso para "compensar" a desvalorização do real. Hoje, o dólar está cotado em torno dos 3,35 pesos.

Na semana passada, o ex-presidente Kirchner disse que os empresários expandiram bastante seus negócios durante o período de crescimento recorde da economia argentina (2003-2007) e que agora não deveriam reclamar de "ganhar um peso a menos" para manter os empregos dos trabalhadores do país.

Diferentes integrantes da UIA responderam que esperam incentivos do governo para manter o ritmo de suas empresas e a continuidade dos postos de trabalho.

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