Cristina Kirchner envia soldados para os arredores de Buenos Aires

Seis mil soldados vão patrulhar 21 municípios na Grande Buenos Aires

BBC Brasil |

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AFP
Kirchner afirmou que colocar exército nas ruas não se trata de "ser truculento, mas de ser criterioso e lógico"
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta segunda-feira o envio de 6 mil soldados para as comunidades carentes em cidades nos arredores de Buenos Aires, após uma onda de violência provocada por invasões de terras. As tropas fazem parte da 'Gendarmeria Nacional', polícia militarizada cuja principal função é controlar as regiões de fronteira do país.

Os soldados vão integrar o chamado "plano de proteção e segurança cidadã", com forte presença nas áreas onde estão sendo registrados conflitos, que terá início em 1º de janeiro. Eles serão distribuídos por 21 municípios com objetivo de evitar ocupações ilegais e reforçar o combate à insegurança pública - uma das maiores queixas dos argentinos, segundo diferentes pesquisas de opinião.

"Não se trata aqui de ser truculento, mas de ser criterioso e lógico", disse a presidente em rede nacional de rádio e de televisão. Para ela, a questão da segurança pública deve ser resolvida, "de acordo com a constituição e as leis do país". Há dez dias, três pessoas morreram durante ações policiais contra as ocupações de terras. A nova ministra de Segurança, Nilda Garré, que assumiu depois deste episódio, anunciou que os policiais não mais usarão armas nos protestos populares.

Sensação de insegurança

Para analistas argentinos - como Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria -, a insegurança pública é "pior em algumas cidades brasileiras e na cidade do México, mas os argentinos têm uma maior sensação de insegurança que os demais". No entato, vêm crescendo no país a ocorrência de delitos que antes não eram comuns, como roubos à saída dos bancos e furtos em pontos turisticos dos chamados 'motochorros' - assaltantes em motos - ou assaltos a mão armada, com mortes.

A operação, batizada de "Sentinela", foi lançada pela presidente na Cidade Evita, uma comunidade carente que leva o nome da ex-primeira dama Evita Perón. Enquanto a presidente discursava, foram mostradas filas de soldados e 440 automóveis que vão participar da ofensiva de segurança. A presidente disse que esse é o momento de "se estabelecer conceitos em matéria de segurança pública". Para ela, as forças de segurança devem combater o crime e a justiça, agir para complementar essas ações.

Segundo ela, a "brecha social" entre ricos e pobres é uma das causas da insegurança. Mas fez uma ressalva: "Para superar falsos debates é necessário não querer explicar o problema da segurança unicamente a partir da questão do crime organizado e nem tampouco explicar-lo somente pelo lado da questão social."

O anúncio de Cristina Kircher foi realizado num momento em que as ocupações ilegais de terras, na capital e na província, preocupam autoridades locais. "Sabemos muito bem o que é uma manifestação social e o que é um delito. É inexplicável que as câmeras de televisão mostrem pessoas jogando pedras (durante os protestos por terras) contra policiais e soldados e que, no entanto, a Justiça não dê ordens de prisão", afirmou.

Ela fez um "apelo" para que a Justiça atue nestes casos e contra o crime comum. "Às vezes por um ou outro motivo a justiça acaba deixando criminosos em liberdade. Isso (que ela defende) não é querer mão dura. Mas que cada um atue como deve." "A Justiça deve castigar os delinqüentes para que não voltem a agredir ou causar dano à sociedade", disse

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