Cristina Kirchner critica ruralistas em ato organizado por marido

Buenos Aires, 18 jun (EFE).- A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, investiu hoje contra os ruralistas e chamou a defesa da democracia, na segunda mobilização do peronismo organizada por seu marido, o ex-governante Néstor Kirchner, desde do início há três meses do conflito entre o Governo e o campo.

EFE |

O ato praticamente paralisou a capital do país para que fosse garantido o êxito do ato convocado pelo ex-presidente, apoiado pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a principal central sindical do país, que decretou a interrupção das atividades ao meio-dia (local) em setores como o bancário.

Centenas de microônibus vindos da grande Buenos Aires e das províncias divisórias prejudicaram o trânsito da cidade, restrito nas áreas próximas à Praça de Maio, em frente à Casa Rosada (sede do Governo), desde o começo da manhã.

Milhares de pessoas esperaram por horas na praça a chegada de Cristina, única a discursar no grande ato organizado por Néstor em meio ao clima de tensão vivido no país pela crise com o campo.

Com cerca de uma hora e meia de atraso, a presidente chegou no helicóptero que costuma usar em seus deslocamentos pela cidade, acompanhada por Néstor, líder do Partido Justicialista (PJ).

Após fazer um minuto de silêncio pela morte de um manifestante que estava na praça e foi atingido na cabeça por uma luminária de bronze de um poste de luz que se desprendeu, Cristina Kirchner atacou com dureza as patronais agropecuárias e defendeu as conquistas da gestão de seu marido e antecessor no cargo.

Acompanhada pelos membros de seu Governo e pela grande maioria dos governadores peronistas do país, Cristina investiu contra os dirigentes agropecuários.

"Quatro pessoas em quem ninguém votou, as quais ninguém elegeu" que "se reuniam, deliberavam, decidiam e comunicavam ao resto dos argentinos quem podia andar pelas estradas do país e quem não", afirmou o governante.

Segundo ela, ao ver esse cenário, se percebeu que o problema não estava no aumento das restrições às exportações de grãos decretado por seu Governo, mas sim na interferência na própria construção democrática, que diz que os representantes do povo escolhidos em eleições são os que deliberam".

"Convidamos eles que democraticamente se constituam como partido político e se apresentem nas próximas eleições para reivindicar o voto a favor de seu modelo", acrescentou Cristina, que defendeu a necessidade de que as diferenças sejam "processadas democraticamente".

"Talvez pelos golpes (de Estado), achamos que tudo se regula com intolerância, buzina, panelaço ou fechamento de estradas. Assim não se regulam as coisas. Pelo contrário, cada vez se desordenam mais", afirmou.

"Estamos diante de uma grande oportunidade histórica. Pela primeira vez, eles (os países desenvolvidos) necessitam mais de nós que nós deles. Sejamos inteligentes, deixemos de olhar para o nosso umbigo", disse Cristina.

A presidente sofre um grande desgaste pelo conflito agrário, com uma significativa queda de popularidade e "panelaços" maciços, como o registrado na segunda-feira em Buenos Aires e em outras grandes cidades do país, contra sua política.

Após quase 100 dias de conflito, Cristina Kirchner enviou na terça-feira ao Parlamento um projeto de lei para que seja ratificada a resolução que elevou os impostos às exportações.

As organizações agrárias terão de decidir nas próximas horas se mantêm a última fase das greves comerciais convocadas contra a alta de impostos. EFE mar/rb/rr

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