MOSCOU (Reuters) - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu por uma parceria mais próxima entre seu país e a Rússia, nesta quarta-feira, durante visita ao Kremlin, em mais um gesto de aproximação entre a América Latina e Moscou. A visita de Cristina a Moscou acontece semanas depois de o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, ter feito uma turnê pela América Latina, incluindo o Brasil, o Peru e a Venezuela.

"Precisamos aprofundar o diálogo político, nossa cooperação na arena internacional, porque, acima de tudo, a Rússia e a Argentina estão convencidas... da necessidade de construir um mundo baseado em princípios multipolares", disse Cristina a Medvedev.

Depois da conversa, Medvedev e Cristina assinaram uma declaração conjunta que assinala "intenções de construir parcerias estratégicas", de acordo com uma cópia distribuída pelo Kremlin.

A Rússia estima que o comércio bilateral com a Argentina aumentou quatro vezes nos últimos cinco anos, para 1,5 bilhão de dólares por ano. A Argentina exporta produtos agrícolas e a Rússia exporta combustíveis e fertilizantes.

"Estamos, de modo geral, satisfeitos com a maneira como as relações entre a Rússia e a Argentina estão se desenvolvendo, os níveis de crescimento do comércio... Mas ainda consideramos que podemos fazer mais, muito mais", disse Medvedev durante a conversa com a presidente argentina.

A segunda petrolífera mais importante da Rússia, a Lukoil, assinou um memorando de entendimento com a estatal de energia argentina Enarsa e com a Pobater. O objetivo é juntar forças para o armazenamento de produtos derivados de petróleo na América Latina.

Cristina se encontrou também com o premiê Vladimir Putin, na terça-feira, e o jornal russo Kommersant disse que a Argentina pode estar interessada em comprar armas da Rússia.

Putin e Medvedev aceitaram convites para visitar a Argentina, segundo o Kremlin.

(Reportagem de Denis Dyomkin)

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