A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta sexta-feira a intenção de antecipar em três meses, para o dia 28 de junho, as eleições legislativas de outubro, devido à crise e a um mundo que está desabando.

"Seria um suicídio impor à sociedade um debate permanente até outubro, num momento em que o mundo está desabando e pode nos levar junto em sua queda", declarou Cristina Kirchner em um discurso em Rawson, na Patagônia (sul).

Nestes tempos de crise, "precisamos de um clima tranquilo, não de um clima eleitoral", argumentou a presidente, informando que um projeto de lei será apresentado já na segunda-feira para antecipar as legislativas para o dia 28 de junho.

Muito popular em dezembro de 2007 depois de sua eleição, Cristina Kirchner viu sua popularidade desmoronar de 55% para 30% devido principalmente a sua posição intransigente com os agricultores entre março e julho de 2008.

A ex-primeira-dama também teme as consequências eleitorais de um novo confronto com os agricultores.

Depois de um acordo parcial abaixando as taxas sobre o leite, a carne, o trigo e o milho, os agricultores convocaram novas manifestações e bloqueios de estradas para protestar contra as taxas de exportação sobre a soja.

As exportações argentinas caíram 36% em janeiro em relação ao ano passado, e a produção de automóveis registrou uma queda de 55% entre fevereiro de 2008 e fevereiro de 2009. Os preços das matérias-primas e dos produtos agroindustriais argentinos caiu 20% a 40% em relação a 2008.

Metade das cadeiras da Câmara dos Deputados e um terço das cadeiras do Senado estão em jogo nestas eleições legislativas.

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