Confrontos entre moradores e pessoas que acampavam em parque de Buenos Aires deixaram três mortos

A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, acusou na terça-feira seus rivais políticos de estimular ocupações de terrenos e fomentarem incidentes que mataram três pessoas na última semana.

Os confrontos entre pessoas que acampavam em um parque de Buenos Aires e moradores do bairro têm dominado o noticiário, causando um novo problema político para Cristina, pouco mais de um mês depois da morte de seu marido e mentor político, Néstor Kirchner.

AFP
Protestos contra Macri, acusado de ser responsável pelas mortes no Parque Indoamericano
As imagens de jovens atirando paus e pedras contra as barracas dos sem-teto na periferia portenha são particularmente constrangedoras para uma política de Kirchner, que se intitula como centro-esquerda, cuja base de apoio são as classes pobres e trabalhadoras.

"Isso não escapou simplesmente do controle, alguém estava por trás disso", afirmou Cristina num discurso pela TV. A violência no bairro de Villa Soldati foi seguida por diversas outras ocupações de terrenos nesta semana em Buenos Aires. "Desde o primeiro dia em que comecei a governar a República Argentina, começaram a colocar obstáculos no meu caminho", disse a presidente, que deve disputar a reeleição em 2011.

Os sem-teto começaram a acampar no segundo maior parque da cidade na semana passada, e já há quase 6 mil deles ali, segundo cifras do governo. Alguns dizem que foram despejados de suas casas, em favelas perto dali, porque não podiam mais pagar aluguéis equivalentes a US$ 100 dólares, o que reflete a forte inflação no país, estimada entre 25% e 30%.

Cristina frequentemente salienta os esforços do seu governo para redistribuir riquezas no país, mas críticos dizem que os distúrbios são resultado das desigualdades sociais e da negligência governamental com as áreas pobres.

Novo ministério

Em uma aparente reação à violência, Cristina anunciou na sexta-feira a criação do Ministério da Segurança, e ministros acusaram o prefeito oposicionista da capital, Mauricio Macri, de ter agido mal diante da situação, além de ter negligenciado a periferia sul da capital.

Aníbal Fernández, chefe de gabinete do governo, vinculou a violência na Villa Soldati ao ex-presidente Eduardo Duhalde, membro de uma facção rival à de Cristina dentro do Partido Peronista. Duhalde negou envolvimento nos incidentes.

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