Buenos Aires, 18 jul (EFE) - A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, não considerou de forma alguma que o Governo tenha sofrido uma derrota com a rejeição do Senado ao esquema tributário que detonou um conflito com o campo, afirmaram hoje legisladores aliados do Governo. (A governante) Felicitou-nos. Achamos ela muito fortalecida, disse o senador Miguel Pichetto, chefe da bancada governista, depois de uma reunião da chefe de Estado com mais de 150 legisladores que votaram a favor do projeto sobre o aumento de impostos à exportação de grãos.

O titular da bancada governista na Câmara dos Deputados, Agustín Rossi, destacou o "agradecimento" da presidente pelos votos favoráveis e o "bom ânimo" de Cristina, que, nesta quinta-feira, recebeu um duro revés com a rejeição do Senado ao projeto.

O voto foi definido pelo vice-presidente argentino, Julio Cobos, que manifestou sua rejeição à iniciativa enviada ao Parlamento pela presidente em junho passado.

Frente a este cenário, o chefe de Gabinete argentino, Alberto Fernández, anunciou hoje a suspensão da polêmica medida estabelecida em março passado pelo Governo, que instaurou um esquema de retenções móveis à exportação de trigo, milho, girassol e soja.

"(A presidente) não considerou de forma nenhuma que tivéssemos sofrido uma derrota", disse Pichetto a jornalistas após o fim do encontro, realizado na quinta presidencial de Oliveiras, do qual também participaram o chefe de Gabinete e o ministro do Interior, Florencio Randazzo, entre outros funcionários.

"Disse-nos que os legisladores que votaram afirmativamente cumpriram a plataforma eleitoral e os alinhamentos expressados na campanha", indicou o senador governista, que destacou ainda que, na reunião, "não foi mencionado pelo vice-presidente".

Os legisladores governistas renovaram o apoio à chefe de Estado, cuja imagem foi afetada durante o prolongado conflito com o campo, que originou protestos, desabastecimento de alimentos e problemas em vários setores da economia local.

Os legisladores aliados do Governo são maioria em ambas as Câmaras, mas parte deles decidiu rejeitar o projeto oficial depois de um extenso debate, o que causou um empate resolvido pelo vice-presidente em sua condição de titular do Senado.

Fontes do Ministério de Economia argentino informaram que nas próximas horas serão divulgadas três resoluções que deixarão sem efeito o regime de retenções móveis, em sintonia com o anúncio efetuado pelo chefe de Gabinete.

A decisão do Executivo de suspender o esquema tributário foi bem recebida pela oposição e as patronais agropecuárias, que, de todos os modos, advertiram de que ainda esperam respostas a outras exigências do setor. EFE ms/db

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