Cristina e Sarkozy planejam estreitar relações e agir a favor de reféns

Paris, 7 abr (EFE).- A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, recebeu hoje o agradecimento de seu colega francês, Nicolas Sarkozy, por sua mobilização a favor da libertação dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em uma visita-relâmpago a Paris para relançar as relações entre os dois países.

EFE |

O almoço de trabalho no Palácio do Eliseu foi o momento ápice da visita de Cristina, após haver participado, na véspera, poucas horas após chegar a Paris, de uma "passeata branca" pela libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt e outros seqüestrados da guerrilha colombiana.

"Acho que estamos perante o relançamento novamente da relação bilateral entre Argentina e França", comemorou a governante ao anunciar hoje, após o encontro, o "compromisso" de Sarkozy de fazer uma visita oficial ao país sul-americano no início de 2009.

Será "um orgulho e uma oportunidade de relançar esta magnífica relação que historicamente tiveram os dois países", disse comemorando o interesse manifestado por Sarkozy em aprofundar essa relação.

A visita do presidente francês à Argentina poderia coincidir com o lançamento da pedra fundamental do projeto de trem de alta velocidade Buenos Aires-Rosário-Córdoba, cuja construção será realizada por um consórcio liderado pela empresa francesa Alstom.

A assinatura definitiva do contrato está prevista para dentro de duas semanas e o começo das obras em oito ou nove meses, indicou a comitiva argentina, segundo fontes do Palácio do Eliseu.

O trem de alta velocidade, o primeiro do continente, é um exemplo do desenvolvimento das relações, especialmente no âmbito econômico, que desejam os dois dirigentes, indicaram as fontes após o almoço, no qual Cristina participou com seus ministros de Exteriores e Planejamento e o futuro embaixador da Argentina em Paris, ex-chefe da montadora automobilística Peugeot na Argentina.

As relações entre os dois países - cujos intercâmbios comerciais foram de 1,7 bilhão de euros em 2007 -, haviam se degradado nos últimos anos, em função de disputas empresariais.

O tema da dívida da Argentina com o Clube de Paris não foi tratado pelos dois presidentes, segundo o Palácio do Eliseu, nem, aparentemente, na reunião posterior, de quase uma hora, na qual Cristina se encontrou com o primeiro-ministro, François Fillon.

O encontro de hoje foi o primeiro entre Sarkozy e Cristina Kirchner desde que ambos chegaram à Presidência de seus respectivos países. No entanto, os representantes já haviam se reunido em fevereiro de 2007, em Paris, quando ele era ministro do Interior e pré-candidato ao Palácio do Eliseu e ela, senadora, Primeira-dama e também candidata à sucessão de seu marido na Presidência da Argentina.

Os esforços, por enquanto infrutíferos, pela libertação de Ingrid, refém das Farc desde fevereiro de 2002, e de outros cativos, e o desejo partilhado de dar um novo impulso às relações, sobretudo econômicas, entre França e Argentina dominaram o almoço, que durou pouco mais de uma hora.

Sarkozy, que recebeu Cristina na escada do Palácio do Eliseu com um beijo - depois que a Guarda Republicana realizou as honras protocolares - agradeceu "muito calorosamente" sua mobilização no tema dos reféns, disseram fontes do Palácio do Eliseu.

A pedido de Sarkozy - que fez da libertação de Betancourt uma prioridade desde que tomou posse em maio passado - Cristina adotou uma postura mais ativa frente ao tema e, como disse ontem o ministro francês de Exteriores, Bernard Kouchner, os dirigentes latino-americanos e da França estão agora em uma "atuação coletiva a favor da libertação de Ingrid".

O próprio Kouchner disse hoje que tem a "sensação" de que a saúde de Betancourt, da qual Sarkozy tinha dito há uma semana que estava em "perigo de morte iminente", está "melhor" do que indicavam os rumores alarmantes que circularam recentemente.

Mas a missão humanitária, enviada pela França, Espanha e Suíça, com um avião-ambulância à Colômbia permanece no local e "não está na ordem do dia sua retirada", afirmaram fontes oficiais.

O objetivo declarado da missão, cujos dois emissários, francês e suíço, continuam "muito ativos", é entrar em contato com as Farc e conseguir acesso a Betancourt, mas a guerrilha não deu sinais até agora.

Na "passeata branca", a presidente argentina realizou um chamado para se colocar fim aos obstáculos que impedem a libertação de Betancourt e pediu a seu colega colombiano, Álvaro Uribe, para fazer um gesto porque os direitos humanos devem "prevalecer acima de qualquer outra questão".

Cristina, que abriu seu programa oficial hoje com a inauguração, junto ao prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, de uma praça denominada "Jardim das Mães e Avós de Maio", o fechou com uma visita à Unesco, e tem viagem de volta prevista para hoje à noite. EFE al/fb

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