Cristina diz que é ridículo pensar que a Argentina terá atitude bélica

Praia do Carmen (México), 22 fev (EFE).- A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, afirmou hoje na cúpula do Grupo do Rio, que está sendo realizada no Caribe mexicano, que é ridículo e cínico colocar que seu país represente uma ameaça bélica ao Reino Unido pelo conflito das ilhas Malvinas.

EFE |

Durante seu discurso na abertura da cúpula, que iniciou nesta segunda-feira no balneário turístico Praia do Carmen, a governante assinalou que o Ministério de Assuntos Exteriores do Reino Unido "agitou o fantasma de uma eventual ameaça bélica por parte da Argentina", em resposta ao anúncio deste país de implantar controles para o tráfego marítimo com as ilhas.

Colocar a possibilidade de que a Argentina assuma uma atitude bélica é "um exercício ridículo e cínico porque acredito que poucos países, depois da democracia, deram maiores testemunhos que a Argentina quanto a sua vocação pacífica", disse a governante.

"Nossas Forças Armadas participam unicamente de exercícios conjuntos de paz no Haiti, no Chipre, ordenados pelas Nações Unidas", disse.

"Não estamos no Afeganistão ou no Iraque, nos opomos a qualquer tipo de ocupação e violação ao direito internacional, porque acreditamos que este é um dos caminhos que levam a um mundo cada vez mais inseguro, mais perigoso e fragmentado", acrescentou.

Argentina disputa com o Reino Unido a soberania das Malvinas desde 1833, ano em que os britânicos ocuparam o arquipélago, mas o conflito tomou no fôlego desde a divulgação da intenção britânica de iniciar ali uma prospecção petrolífera.

De fato, as operações de prospecção em águas das Malvinas da plataforma petrolífera Ocean Guardian começaram hoje e devem durar cerca de 30 dias, conforme anunciou a empresa britânica Desire Petroleum.

De acordo com a chefe de Estado argentina, "não somente instalaram uma plataforma ao sul das ilhas em clara violação as disposições das Nações Unidas", mas essa ação "coloca algo mais que uma questão de soberania".

Se o colonialismo caracterizou os séculos XVIII e XIX, e o surgimento das Nações Unidas e a Guerra Fria o XX, "o século XXI será o tempo sem dúvida da grande discussão sobre os recursos naturais" de todos os países do mundo, disse.

A presidente convidou o Reino Unido para discutir a soberania sobre "o território argentino que faz parte da plataforma".

Em 15 de janeiro completou 177 anos da primeira reivindicação que a Argentina fez ao Reino Unido sobre a "restituição ao país de nosso território legitimo", lembrou.

"Em nenhum momento" entre 1965 e 2007 "tivemos alguma discussão, tal como marcou as Nações Unidas" em nove resoluções que determinam a "obrigação por parte de ambos os países de discutir nossa soberania levando em conta os interesses dos habitantes das ilhas" e "proibindo tomar decisões de caráter unilateral", destacou.

Em 1982, a Argentina ocupou militarmente as ilhas, mas, após uma guerra de três meses com o Reino Unido, assinou sua rendição. EFE jd/dm

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